O monstro de 21 faces

Por quase dois anos, na década de 1980, um criminoso deixou o Japão em estado de medo com uma série de crimes. Ele ficou conhecido como “o monstro de 21 faces” e até hoje não foi pego.

Como começou:

Em março de 1984, Katsuhisa Ezaki, CEO da fábrica de doces Glico foi sequestrado por dois homens mascarados. Ele foi levado para um cativeiro e os sequestradores pediram como resgate, 1 bilhão de ienes. Por sorte, antes que o resgate fosse pago, Ezaki conseguiu fugir.

Em abril desse mesmo ano, vários veículos foram queimados no pátio da Glico, além de uma área ao seu redor.

Logo no mês seguinte, a Glico recebeu uma carta ameaçadora assinada por “The monster with 21 faces” (O monstro de 21 faces) que dizia que os pacotes de doces produzidos pela fábrica seriam envenenados com cianureto. Com disso, decidiram retirar os doces de todas as mercearias do Japão, o que acabou gerando um prejuízo de mais de US$ 20 milhões, além de 400 empregados demitidos.

Não haviam muitas pistas pra serem seguidas pela polícia. Em uma determinada mercearia da cidade, uma câmera de segurança filmou uma pessoa estranha colocando produtos Glico nas prateleiras. Este homem usava um chapéu de algum time de beisebol (o que dificultava sua identificação), e além disso, só havia uma pessoa na gravação, enquanto no sequestro do CEO da Glico, houve a participação de duas pessoas.

O tempo foi passando e as cartas foram chegando cada vez mais. Agora elas começavam também a provocar a mídia e as autoridades. Com isso, as vendas de doces despencavam dia após dia.

O desconhecido começou a importunar outras empresas de doces e de outros produtos alimentícios. Mas ainda assim, eram muito poucas as pistas para a polícia conseguir chegar efetivamente até ele.

Tudo começa a piorar

No fim de junho, as coisas começaram a ficar ainda piores. Naquele mês, o “monstro” disse que acabaria com todas as suas atividades em troca de 50 milhões de ienes. Mas não só isso, o dinheiro deveria ser deixado em um trem com destino a Kyoto e o local de entrega seria representado por uma bandeira branca no caminho da rota. A polícia enviou um representante junto com o dinheiro para procurar essa bandeira.

Durante o caminho, o policial não viu nenhuma bandeira branca, mas notou um homem no trem que agia de maneira estranha, e mesmo observando atentamente o rapaz, o sujeito conseguiu enganar um investigador na estação de Kyoto e fugiu.

Em outubro de 1984, ele enviou a mídia uma carta dirigida as mães de todo o Japão. A carta dizia que haviam sido envenenados 20 pacotes de balas e que estavam espalhadas em vários supermercados. Toda a polícia se espalhou pelo país e conseguiu recuperar mais de 10 pacotes que realmente haviam sido adulterados.

No começo do ano seguinte, baseado no vídeo da loja e uma descrição do homem que estava no trem indo para Kyoto, a polícia fez um cartaz de divulgação para procurar o homem. Ninguém conseguiu identificá-lo e as investigações continuaram.

Primeira (e única) vítima

Em agosto, o criminoso fez sua primeira vítima, ainda que indiretamente. Como a investigação não dava resultados efetivos, e pressionado de todos os lados por uma prisão, o superintendente da polícia acabou se matando. Assim que a notícia do suicídio se espalhou, o Monstro enviou sua última carta a mídia dizendo, em parte:

(O superintendente da polícia) morreu. Que estupidez dele! Nós não temos amigos ou esconderijo secreto… O que a polícia tem feito no último ano e cinco meses? Não deixe criminosos como nós se safarem… Decidimos nos esquecer de atormentar as empresas de alimentos. Se alguém chantageia qualquer outra empresa de alimentos, não somos nós, mas alguém nos copiando. Nós somos bandidos. Isso significa que temos mais a fazer além bullying nas empresas. É divertido levar a vida de um homem malvado…

Monstro Com 21 Faces”

Atualmente o caso está encerrado e mesmo que ele fosse capturado, não poderia ser processado nem preso, pois de acordo com as leis japonesas o tempo fez com que os crimes prescrevessem.

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