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Curupira

Com certeza na sua escola você deve ter estudado um pouco sobre o folclore brasileiro e alguns de seus mitos e lendas, hoje vou abordar aqui pela primeira vez uma lenda brasileira, o ser com os pés virados para trás que conhecemos como Curupira.

O nome Curupira tem sua origem no tupi-guarani “curumi” e “pora“, ou seja: “corpo de criança“. Em muitos casos, ele na verdade é considerado como uma mulher, que seria a “Mãe das ervas” e guardiã das florestas. Ele ou ela, protege a natureza, a floresta e os animais. Se a pessoa trata bem a natureza, o Curupira a respeitará, caso contrário, poderá conhecer sua fúria. Em resumo, respeite e será respeitado.

O Curupira é mais comumente descrito como uma criança pequena, com cabelos vermelhos como fogo e os seus pés tem os calcanhares para a frente, que faz com que os caçadores se confundam.

Dizem as lendas que ele gosta de ficar debaixo de mangueiras comendo frutas, mas ao perceber alguma ameaça, sai correndo numa velocidade tão grande, que os olhos humanos não conseguem acompanhar. Também dizem que ele pode lançar feitiços nas crianças pequenas e as levar para a floresta, devolvendo para os pais apenas com 7 anos de idade. Ele faria isso porque gosta muito de crianças e essas crianças, quando devolvidas, não voltam mais como antes, porque conhecem muitas maravilhas da floresta.

Para proteger os animais, o Curupira com toda sua astúcia faz o possível para atrapalhar os caçadores, algumas vezes usando gritos e gemidos, imitando animais e fazendo com que o caçador acredite que está no rastro da caça, mas quando se dá conta está perdido na floresta.

Quando uma chuva mais forte está chegando, ele corre pela floresta, batendo nos troncos das árvores, para verificar se estão fortes o suficiente para aguentar a tempestade. Se notar que alguma árvore pode cair com a força do vento, ele avisa os animais para não ficarem perto dessas árvores.

Ele pode lançar feitiços em adultos também, principalmente sobre caçadores, que acabam tentando sair da floresta, mas não conseguem. Uma alternativa para escapar do “encantamento” é achar um pedaço de liana e fazer uma bola. É importante esconder bem a ponta da liana enquanto faz a bola, de maneira que seja difícil desenrolar e achar essa ponta. Depois de pronta, deve-se jogar ela longe, se afastar e dizer alto: “Eu aposto que você não consegue achar a ponta” e repetir isso até que o Curupira, curioso apareça e pegue a bola. Ele vai tentar a todo custo desenrolar a bola para achar a ponta e nesse processo acaba esquecendo da pessoa “encantada” que conseguirá finalmente sair da floresta.

O Curupira, dependendo da região pode ter várias aparências: Na região do Rio Negro, ele é ruivo, cabeludo e com os pés virados para trás. No Pará, ele não tem identificação sexual. Na região do Solimões, possui dentes longos e azuis ou verdes.

O mito do Curupira é bastante antigo e pode ter começado com os Nauas ou Caraibas. Padre Anchieta, Fernão Cardim, Laet e Acuña também falaram a respeito desse ser. Claro que com o passar do tempo, a forma com que ele é dito vai mudando, então ele inevitavelmente adquiriu novos rostos e atributos, mas nunca perdeu a essência de ser bom para quem é bom com a floresta e punindo aqueles que não são.

No Maranhão, dizem que ele fica sentado embaixo das árvores dos Tucunzeiros, olhando as margens do rio e pedindo tabaco para quem cruza o rio e vira as canoas daqueles que não dão.

Da Paraíba, passando pelo Rio Grande do Norte até o Ceará, ele é chamado de Caapora. A diferença aqui é que ele aparece sempre montado num cavalo ou coelho. Ele também é descrito em alguns casos como um índio, nu, fumando tabaco e bebendo cachaça.

Ele não é conhecido apenas aqui no Brasil. Na Venezuela chamam de “Maguare”, na Colômbia, “Selvaje”, no Peru, “Chudiachaque”, e na Bolívia, “Kaná”.

Fontes:

https://casadecha.wordpress.com
http://www.rosanevolpatto.trd.br
http://www.abrasoffa.org.br
http://www.brasilescola.com
http://www.amazonia.com.br

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