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Ilha Sentinela do Norte (Índia)

No fim de 2018, a morte de um missionário americano que resolveu visitar ilegalmente a isolada Ilha Sentinela do Norte acabou chamando a atenção daquele lugar e de seus habitantes para o restante do mundo. Mas antes de falar sobre este caso especificamente, vamos conhecer um pouco mais sobre a ilha e a região.

A ilha Sentinela do Norte é uma das ilhas Andaman (que faz parte de um arquipélago entre a Índia e Mianmar). Este lugar é o lar de uma tribo chamada Sentinelese (sentinelas), que rejeita qualquer tipo de contato com a civilização exterior e permanece como sendo uma das últimas do planeta que ainda são intocadas.

Existe uma Lei de Proteção de Tribos Aborígenes das Ilhas Andaman e Nicobar que proíbe a viagem até a ilha e qualquer aproximação a menos de 9 km, com a intenção de impedir que essas tribos contraiam qualquer doença que eles não tenham imunidade e a marinha indiana faz o patrulhamento da região.

Quem são os sentinelas?

População
Nunca foi realizado um censo detalhado, então é difícil dizer ao certo quantos habitantes existem na ilha, tudo o que existe são estimativas, que variam entre 15 e chegando a no máximo 500 habitantes, mas a maior parte dos estudos aponta que devam existir entre 50 e 150 pessoas.

Aparência
Os Sentineleses têm pele escura, brilhante e dentes bem alinhados e são descritos como tendo entre 1,60 e 1,65m. Nunca foi relatado que algum deles aparente sinais de obesidade, além de possuírem músculos bastante proeminentes.

Práticas e costumes
Com base em uma única visita em 1967, sabe-se que eles moram em pequenas cabanas com telhados inclinados. Pandit descreveu que as cabanas eram construídas de frente uma para a outra e com uma fogueira do lado de fora de cada casa. Sabe-se também que eles constroem canoas pequenas e estreitas, que são guiadas com varas longas.

Os sentineleses são um povo “caçador-coletor”, provavelmente usam arcos e flechas para caçar animais selvagens, além de comer frutas e tubérculos que crescem na ilha. Acredita-se que eles também comam muitos moluscos, já que foram vistas muitas conchas assadas no assentamento.

Idioma
Como são um povo completamente isolado, nada se sabe a respeito da língua praticada por eles. Alguns estudiosos compararam sua linguagem com a dos Jarawa e dos Onge, mas chegaram a conclusão que são completamente diferente.

Porque os sentileneses não gostam de visitantes?

Desde 1771, quando foram relatadas luzes na costa da Ilha Sentinela do Norte pela primeira vez, muitas tentativas de contato com esse povo já foram feitas.

O primeiro contato efetivo porém, foi realizado apenas mais de 100 anos depois do avistamento pelo navio que havia passado por lá em 1771. Um navio mercante indiano encalhou na região, seus passageiros e tripulantes conseguiram chegar até a praia com segurança, mas depois de 3 dias os sentineleses atacaram furiosamente o grupo com flechas com pontas de ferro.

O capitão do navio havia fugido do navio com o barco de apoio e foi encontrado dias depois por um outro navio. A Marinha Real acabou enviando uma equipe para resgatar os sobreviventes, que contaram que após um intenso confronto com os habitantes da ilha, haviam conseguido espantá-los.

Em 1880 houve uma nova tentativa de contato com os sentineleses. Dessa vez o oficial da Marinha, Maurice Vidal Portman levou um grupo de pessoas até a ilha. Assim que eles desembarcaram, os habitantes fugiram, deixando os vilarejos abandonados. Um casal e seus 4 filhos acabou sendo capturado e foram levados para Port Blair, a capital colonial na ilha sul de Andaman. Pouco tempo se passou e todos os 6 sentineleses ficaram muito doentes e o casal acabou morrendo rapidamente. Portman decidiu então devolver as crianças o mais rapidamente possível para a Ilha Sentinela do Norte. Não se sabe o que pode ter acontecido depois que elas retornaram.

Em 1896, um condenado fugiu da Colônia Penal da Grande Ilha Andaman em uma balsa improvisada. Ele acabou indo parar na Ilha Sentinela do Norte. Um grupo de busca da colônia encontrou seus restos mortais poucos dias depois, cheio de feridas de flechas e com a garganta cortada.

Será impossível fazer amizade com este povo?

TN Pandit (1967 – 1991)

Bem mais recentemente, em 1967, um grupo de 20 pessoas, que incluía o governador, as forças armadas e o pessoal da marinha, foi liderado por Trinok Nath Pandit em direção a Ilha Sentinela do Norte com a intenção uma nova tentativa de contato com os sentineleses, desta vez com a ajuda de um antropólogo de verdade.

Ainda bem de longe, começaram a observar a ilha e viram vários grupos de pessoas ao longo da costa, mas a medida que a equipe se aproximava, o grupo foi se retirando para a densa floresta. Ao desembarcar na ilha, começaram a caminhar e depois de mais ou menos 1km encontraram um vilarejo com 18 cabanas que haviam sido abandonadas as pressas (isso era perceptível porque ainda havia fogo do lado de fora das cabanas).

Pandit e sua equipe deixaram presentes: pedaços de pano, doces e baldes de plástico. Como não conseguiram contato algum, se retiraram da ilha.

Entre as décadas de 1970 e 1980, Pandit retornou várias outras vezes até a ilha, mas apenas depois de 1981 é que ele começou a fazer expedições com a intenção de contato amigável levando presentes para os nativos. Algumas dessas expedições chegaram a ser filmadas. As vezes, os sentinelas acenavam, enquanto outras vezes se viravam de costas. Em algumas ocasiões, eles saíram correndo da floresta para pegar os presentes, mas quando chegavam perto atacavam com flechas. Em algumas de suas visitas, Pandit levou alguns Onge até a ilha para tentar se comunicar com os sentinelenses, mas todas as tentativas foram inúteis.

National Geographic (1974)
No início de 1974, uma equipe da National Geographic foi até a ilha com uma equipe de antropólogos (incluindo Pandit), para fazer o documentário “Man in Search of Man“. A ideia era dar muitos presentes e tentar estabelecer contato amigável. Assim que o barco se aproximou, os habitantes saíram da floresta e atiraram uma quantidade enorme de flechas. Mesmo assim, a tripulação procurou um ponto seguro na costa e deixou vários presentes (um carro de brinquedo, cocos, uma boneca, um porco vivo e utensílios de cozinha).

Os sentineleses continuaram disparando flechas e uma delas atingiu o diretor do documentário na coxa. O homem que feriu o diretor foi para a sombra de uma árvore e riu orgulhoso, enquanto os outros enterraram o porco e a boneca. Essa expedição também revelou a primeira fotografia dos sentineleses.

Contatos mais recentes
Após o tsunami de 2004, helicópteros da Guarda Costeira da Índia sobrevoaram a ilha e, encontraram os sentineleses em boa forma e ainda completamente hostis. Não hesitaram em atacar o helicóptero com flechas assim que o avistaram.

Em janeiro de 2006, dois pescadores indianos acabaram chegando na ilha quando a âncora do barco não funcionou corretamente durante a noite. Um grupo de sentinelas atacou o barco e matou os pescadores com machados. Posteriormente, o relatório informou que seus corpos foram colocados em estacas de bambu e viradas para o mar (como espantalhos). Três dias depois um helicóptero da Guarda Costeira da Índia encontrou os corpos enterrados e quando tentaram recuperar os restos mortais, foram atacados com flechas e lanças, então resolveram abandonar a missão.

A morte do missionário
Em novembro de 2018, John Allen Chau, um jovem missionário de 26 anos viajou para a ilha com a intenção de contactar e viver entre os sentineleses e posteriormente convertê-los ao cristianismo. Chau não tentou conseguir as permissões necessárias para ir até a ilha então foi até lá ilegalmente subornando pescadores da região.

Ele sabia o que estava fazendo, mas desejava realmente converter a tribo mesmo sabendo do risco que corria. Ele escreveu: “Senhor, é a última fortaleza de Satanás nesta ilha, onde ninguém ouviu ou teve a chance de ouvir seu nome“, “A vida eterna desta tribo está próxima” e “Eu acho que vale a pena declarar Jesus a essas pessoas. Por favor, não fique com raiva delas ou de Deus se eu for morto“.

No dia 15, ele tentou o primeiro contato, usando um barco de pesca que o levou a mais ou menos 500 metros da ilha. Os pescadores avisaram a Chau que ele não deveria chegar mais perto, mas ele pegou uma Bíblia a prova d’água e remou em um barco para mais perto. Ele tentou se comunicar com os habitantes e dar presentes, mas foi hostilizado.

Na segunda visita, Chau disse que os ilhéus reagiram a sua presença com uma mistura de diversão, perplexidade e hostilidade. Ele chegou a cantar algumas canções de adoração, mas os nativos sempre ficavam calados. De acordo com a última carta de Chau, quando ele tentou entregar peixes e presentes, um garoto atirou uma flecha com ponta de metal que perfurou a Bíblia que estava segurando na frente do peito, com isso ele acabou se afastando novamente.

Na última visita, em 17 de novembro, Chau instruiu os pescadores a largá-lo lá e retornarem. Mais tarde os pescadores viram os ilhéus arrastando o corpo morto de Chau e, no dia seguinte o corpo estendido na beira da praia.

A polícia acabou prendendo 7 pescadores que ajudaram Chau a chegar até a ilha e sua morte foi tratada como assassinato, mas os sentinelas não foram acusados e o governo dos EUA não pediu ao governo indiano para fazer nenhuma queixa. Algumas tentativas de resgate do corpo do jovem missionário foram feitas, mas desistiram. O risco de um confronto era muito grande, então não valia a pena a investida.

Este incidente acabou provocando várias discussões sobre a proteção de grupos que vivem isolados. Como já se percebeu, os sentineleses não querem contato com o mundo exterior e conseguem se virar muito bem sozinhos e por conta própria.

O vídeo “Sentilenese: A Tribo Mais Isolada do Mundo”

Entrevista recente com T N Pandit
https://www.downtoearth.org.in/interviews/environment/-leave-the-sentinelese-alone–61317

Fontes:
Wikipedia
Wikipedia
Forbes

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