Home / Fantasmas / Chloe, o fantasma da Plantação Myrtles (EUA)

Chloe, o fantasma da Plantação Myrtles (EUA)

Em 1992, a proprietária da Plantação Myrtles queria fazer uma apólice de seguros contra incêndios e a seguradora pediu que fossem enviadas algumas fotos que mostrassem os prédios e a distância entre eles para a criação da apólice. As fotos foram tiradas e uma delas, quando foi revelada, mostrou o que parecia ser uma pessoa entre dois dos prédios do local. Essa foto, mostrarei daqui a pouco.

Os donos pessoalmente contam uma história muito bonita sobre o local. No seu site oficial www.myrtlesplantation.com não existem muitas informações, mas registros históricos acabaram mostrando a verdadeira história da Plantação, envolvendo morte e tragédias.

História

A Plantação Myrtles foi construída por David Bradford em 1794, e, desde que foi construída, houveram algumas mortes ali (na verdade, a certeza de apenas um assassinato, mas os donos do local nunca deixaram a verdade prevalecer sobre uma “boa história”). Mesmo assim no decorrer da história você vai ver o que realmente aconteceu e que pode ter sido o que deixou fantasmas em Myrtles.

Em 1777 David comprou um pequeno pedaço de terra e uma casa de pedra num condado perto de Washington. Lá, ele acabou se tornando um famoso advogado e vice-procurador. Alguns anos depois, David conheceu Elisabeth Porter, eles se casaram em 1785 e começaram sua família.

Como era famoso e importante, seus negócios passaram a demandar mais espaço, já que sua pequena casa não suportava mais. Então David resolveu construir uma casa em Washington. Por seu porte enorme e riqueza de detalhes, a casa ficou muito conhecida na região. No salão principal, que era o maior, David recebia seus clientes e fazia negócios.

Mesmo construindo essa casa enorme e bonita, ele não pode aproveitá-la por muito tempo, pois no fim de 1794, ele foi forçado a abandonar a casa, e ele saiu tão desesperado que deixou sua família lá. Parece que Bradford estava envolvido na Rebelião do Whisky e que supostamente George Washington teria colocado um preço por sua cabeça pelo seu envolvimento no caso.

A Rebelião do Whisky aconteceu na região oeste da Pensilvânia e começou quando a população começou a reclamar sobre os altos impostos e taxas pagos por eles na época. Tudo passou de apenas reclamações para violência quando alguém incendiou a casa de um coletor de impostos. Nos meses seguintes, os moradores passaram a questionar sobre um imposto que havia sido taxado sobre o Whisky. Mesmo os protestos não sendo violentos, Washington decidiu enviar uma milícia até o lugar para acalmar a rebelião.

Depois de deixar Washington, Bradford primeiro foi para Pittsburgh (não sem antes deixar sua família em segurança) e acabou se estabelecendo em Bayou Sarah. Ele já conhecia a região quando esteve por lá em 1792 com a intenção de ganhar uma concessão de terras. Quando voltou em 1796, comprou mais ou menos 200 hectares de terra e construiu uma “modesta” casa de 8 cômodos, que ele batizou de Laurel Grove. Ele ficou morando sozinho por lá até 1799, quando recebeu o perdão pela sua participação na Rebelião do Whisky.

Agora perdoado, David Bradford foi até sua família para buscá-los para morar com ele em Bayou Sarah. Alguns alunos iam até Bradford para estudar sobre as leis. Um desses alunos, Clark Woodroof, chegou até mesmo a se formar em direito.

Clark Woodrooff

Clark Woodrooff nasceu em 1791, mas nunca desejou seguir os passos do pai que era agricultor e, com 19 anos correu atrás de sua fortuna no rio Mississippi, chegando em Bayou Sarah em 1810.

Woodrooff, sonhando em fazer fortuna, publicou um anúncio no jornal de St. Francisville, dizendo que “uma academia estaria abrindo na primeira segunda-feira de setembro para a recepção de estudantes“. Sua ideia era oferecer aulas de inglês, gramática, astronomia, geografia, elocução, composição, caligrafia e grego e latim. Mas parece que ela não deu muito certo e ele acabou se juntando ao Regimento de Cavalaria do Coronel Hide para lutar na Batalha de Nova Orleans. Quando a guerra terminou, ele retornou para St. Francisville querendo estudar direito.

Ele começou a estudar com David Bradford e rapidamente ganhou seu diploma. Ele também sucumbiu aos encantos de Sarah Mathilda, filha do professor. Eles acabaram casando em 1817 e na lua de mel foram para o The Hermitage, a casa de Tennessee de seu amigo Andrew Jackson (que lutou junto com ele na Batalha de Nova Orleans).

Quando David morreu, Woodrooff cuidou de Laurel Grove para sua sogra, Elizabeth. Ele conseguiu aumentar a terra da propriedade e plantou aproximadamente 650 acres de índigo e algodão. Ele e Sarah tiveram 3 filhos, mas infelizmente essa felicidade não duraria muito.

Em julho de 1823, Sarah Mathilda morreu com febre amarela. Naquela época essa doença varreu a região de Louisiana, era raro uma família não ter sido atingida. Mesmo abalado, Woodrooff continuou administrando a fazenda e cuidando de seus filhos e sogra. Infelizmente, em 1824 seu filho James também morreu de febre amarela e poucos meses depois, Cornelia também acabou morrendo, vítima da mesma doença.

A vida de Woodrooff ficou completamente abalada, mas assim mesmo ele conseguiu comprar a fazenda de sua sogra, que por outro lado ficou feliz em saber que o lugar permaneceria em boas mãos. Ela continuou morando em Laurel Grove com seu genro e neta, até morrer, em 1830. 

Depois que Elizabeth morreu, Woodrooff voltou suas atenções para a prática do Direito. Ele foi nomeado juiz no Distrito D em Covington, e permaneceu lá até 1835, mas antes disso, vendeu Laurel Grove para Ruffin Grey Stirling.

Woodrooff e o que restou de sua família, se mudaram para Nova Orleans e resolveu mudar a grafia do seu nome para “Woodruff”. Em Nova Orleans ele foi eleito presidente de obras públicas para a cidade. Nessa época, Octavia tinha ido estudar em Connecticut, mas voltou para casa em 1836. Dois anos depois, casou-se com o coronel Lorenzo Augustus Besancon e foram morar em Oaklawn, um pouquinho ao norte de Nova Orleans.

Em 1840, Woodruff foi nomeado pelo Governador para o cargo de Auditor de Obras Públicas e serviu por um mandato. Agora ele já tinha 60 anos e resolveu se aposentar, indo morar em Oaklawn com Octavia e seu marido. Ele dedicou o resto de sua vida ao estudo de química e da física e acabou morrendo em novembro de 1851.

Ruffin Grey Stirling e os “Myrtles”

Em 1834, Laurel Grove foi comprado por Ruffin Gray Stirling. Essa era uma família rica e dona de muitas plantações ao longo do rio Mississippi. Em janeiro, Ruffin e sua esposa, Mary Catherine, assumiram a casa, a terra, os edifícios e todos os escravos. 

Eles decidiram remodelar Laurel Grove para ficar mais condizente com o status da família perante a sociedade. Houveram mudanças nas paredes, salas, a criação de um salão de jogos, entre várias outras mudanças. O projeto acabou duplicando o tamanho da propriedade original e após tudo concluído, resolveram mudar o nome oficialmente da plantação para Myrtles.

Em 1854, Stirling acabou morrendo, vítima de tuberculose e deixou sua esposa Mary Cobb cuidando de tudo. A família deles também sofreu várias tragédias e de 9 filhos, apenas 4 chegaram a viver o suficiente para ter idade para casar.

Em dezembro de 1865, Mary Cobb contratou William Drew Winter, marido de sua filha, Sarah, para atuar como sua agente e advogado. Como parte do acordo, ela deu a Sarah e William a propriedade Myrtles.

A guerra civil na região causou vários estragos na família e na propriedade Myrtles. Vários pertences pessoais da família foram saqueados e destruídos pelos soldados da União. Mary, que havia investido alto na plantação, perdeu tudo por causa da guerra e mesmo com tudo isso acontecendo, ela conseguiu se manter firme em Myrtles até morrer em 1880. 

O assassinato de William Winter

William e Sarah tiveram 6 filhos de seu casamento em 1852. Um de seus filhos morreu com apenas 3 anos de febre tifoide. 

Depois que Mary morreu, William tentou manter a plantação em funcionamento, mas sem sucesso, chegando a falência em 1867. Em razão disso, acabaram vendendo a propriedade para a New York Warehouse & Security Company em abril de 1868. Dois anos depois, a propriedade foi vendida para a Sra. Sarah. M. Winter (herdeira da família Stirling). Parecia que as coisas estavam voltando ao normal para a família.

Infelizmente não foi bem assim, pouco depois Myrtles foi atingida por outra tragédia. De acordo com o jornal Point Coupe Democrat, em janeiro de 1871 Winter estava dando aula na sala de casa para um grupo de alunos e ouviu alguém se aproximar da casa. Esse estranho o chamou, dizendo que tinha negócios a tratar com ele, então Winter foi até a lateral da casa e foi baleado. Acabou morrendo na varanda.

Sarah ficou arrasada com o incidente e nunca se casou novamente. Ela permaneceu no Myrtles com sua mãe e irmãos até morrer em abril de 1878.

O declínio

Harrison Milton Williams, um viúvo do Mississippi que trouxe seu filho e sua segunda esposa, Fannie Lintot Haralson, acabaram comprando a casa em 1891.

Williams plantou algodão e ganhou a reputação de homem trabalhador. Sua família cresceu muito quando nasceram mais 7 filhos. Em pouco tempo Myrtles seria atingida por uma nova tragédia.

Durante uma tempestade, o filho mais velho de Williams, Harry, estava tentando juntar alguns animais e acabou caindo no rio Mississippi e se afogou. Harrison e Fannie sofreram muito com essa perda e entregaram a gerência da propriedade a seu filho, Surget Minor. Mais tarde, ele se casou com uma garota da região chamada Jessie Folkes e deu uma casa em Myrtles para sua irmã, Katie.

Na década de 1950, a propriedade que estava ao lado da casa tinha sido dividida entre herdeiros e acabou vendida para Marjorie Muson, uma viúva que estava rica por que tinha fazenda de frangos. As histórias de fantasmas em Myrtles começaram nessa época.

O mito de “Chloe”

O mais conhecido fantasma dos Myrtles é o que é chamado de Chloe. Supostamente uma escrava vingativa que assassinou a esposa e duas filhas de Clark Woodruff. Quem teve paciência e leu até aqui já deve ter percebido algumas falhas na história, mas para ficar mais completo, resolvi me aprofundar mais na história original da casa do que apenas aquela que aparece na internet.

As assombrações em Myrtles começaram na verdade em 1817, depois que Sarah se casou com Clark. Ela teve duas filhas e estava grávida quando ocorreu um evento que até hoje persegue a plantação Myrtles.

Woodruff era conhecido e bem visto na região, mas também tinha fama de promíscuo. Enquanto sua esposa estava grávida do terceiro filho, ele começou um relacionamento com uma de suas escravas. Essa escrava em particular era uma empregada doméstica que odiava as investidas sexuais de Woodruff, mas sabia que se não obedecesse, poderia ser obrigada a trabalhar nos campos, que era o pior dos trabalhos dos escravos. Essa era Chloe.

Chloe não foi por muito tempo o brinquedo de Woodruff, e ela começou a achar que seria enviada para os campos. Começou a escutar as conversas da família na casa, pra saber se seu nome estaria envolvido de alguma maneira. Um dia, Woodruff a viu fazendo isso e mandou que lhe cortassem uma orelha para aprender a lição. Depois disso ela passou a usar um turbante na cabeça para esconder a cicatriz.

O que aconteceu depois disso não é muito claro. Supostamente, teria colocado veneno em um bolo de aniversário da filha mais velha de Woodruff. Ela misturou com os ingredientes, flores de oleandro esmagadas. As duas crianças, e Sarah Mathilda, comeram do bolo, mas Woodruff não comia essas coisas. Antes de acabar o dia, todos estavam muito doentes e em poucas horas todos estavam mortos.

Os escravos da plantação acreditavam que seriam punidos quando descobrissem o que havia sido feito e acabaram enforcando Chloe em uma árvore ali perto. Depois pegaram seu corpo, amararam e jogaram no rio.

Depois desse evento, Woodruff mandou lacrar a sala onde houve a festa e enquanto ele esteve vivo, nunca mais foi usada. Hoje em dia, onde era o local em que houve o envenenamento virou um salão de jogos.

Desde que morreu, já houveram diversos relatos sobre o fantasma de Chloe aparecendo em Myrtles, e foi acidentalmente fotografa por um antigo proprietário. Até hoje a plantação Myrtles vende cartões postais com a imagem nublada do que supostamente é Chloe entre dois prédios. Dizem que ela pode ser vista várias vezes andando pelo local com seu turbante verde. Algumas vezes dá pra ouvir os gritos das crianças, e outras vezes os que estão dormindo são surpreendidos com o rosto de Chloe os olhando ao lado da cama.


Acho que quem conseguiu ler até aqui já deve ter notado alguns furos na história, é até difícil de saber onde começar. Mas vamos por partes: Clark Woodruff teve sua história muito danificada com o passar dos anos, principalmente pela questão dos adultérios. Infelizmente não existem provas sobre tais fatos. Ao que parece, na realidade ele era um marido dedicado e ficou tão perturbado com a sua morte que nunca se casou.

Antes de falarmos mais sobre Chloe, é bom pensar a respeito dos “assassinatos” de Sarah e suas duas filhas. A história foi tão distorcida, que hoje não é mais possível saber da verdade, o que se sabe é que Sarah não foi assassinada. De acordo com os registros, ela morreu de febre amarela em 1823. Seus filhos morreram mais de um ano depois dela, mas com certeza não foi por envenenamento. Se fosse como conta a lenda, Octavia não teria nascido (sua mãe estaria grávida quando morreu), mas sabe-se que ela viveu, cresceu e até se casou. Além disso, Woodruff não foi assassinado, morreu de velhice morando na plantação com sua filha e genro, em 1851.

A parte mais importante da lenda é, claro, Chloe, a escrava assassina. Acontece que até hoje não se pode confirmar que ela tenha realmente existido. Além de não ter assassinado ninguém, é improvável que a família tenha tido algum escravo com esse nome. Muitos pesquisadores examinaram registros históricos, e não encontraram nenhum escravo com nome “Chloe” ou mesmo “Cleo”, como aparece em algumas versões da história.

Eis aqui a imagem onde supostamente aparece o fantasma de Chloe (imagem retirada do site oficial da Plantação Myrtles.

Retirada de myrtlesplantation.com

 

Quer conhecer a Plantação Myrtles? Veja aqui como:

Os tours são realizados diariamente das 09:00 as 16:30, podem ser agendados antecipadamente no site oficial da Plantação Myrtles ou adquiridos na hora.

US$ 15 (adultos), US$ 12 (crianças até 12 anos)

Myrtles Plantation
7747 U.S. Highway 61
P.O. Box 1100
St. Francisville, Louisiana 70775
+1 (225) 635-6277 (800) 809-0565

Veja também

A Mensagem do Fantasma

Em 6 de dezembro de 1955, Lucian Landau, empresário londrino, viveu um drama bastante incomum. …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Powered by themekiller.com