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Primeira representação de um parasita humano encontrada em pintura medieval

Uma das infecções de parasitas mais incomuns e assustadora é dracunculíase, mas ela é mais comumente conhecida como doença do verme da Guiné. Apenas os seres humanos podem ser infectados por esses parasitas, e a infecção se dá quando o ser humano ingere água contaminada com larvas do verme da guiné. No início da infecção não é possível perceber sintomas aparentes, porém após cerca de um ano, o verme começa a se espalhar pelo corpo humano, geralmente nas partes inferiores e começa a formar bolhas. Algumas semanas depois, o verme começa a forçar o tecido até que consegue rompê-lo e acaba saindo através da pele. Quando saem do corpo, eles espalham novos ovos e continuam o ciclo vicioso. Vale lembrar que é muito raro ocorrer morte devido a essa infecção.

Dracunculíase

Embora essa seja uma doença bastante conhecida em vários lugares do mundo há muito tempo, não existem muitas representações históricas. A doença ocorre principalmente em pessoas que residem em países africanos, assim, histórias documentadas dessa doença no ocidente são muito raras.

Porém, recentemente, historiadores de arte italianos descobriram o que pode ser a representação mais antiga do verme da Guiné, em uma pintura medieval. Trata-se da arte retratada de um santo popular na época das Cruzadas, e que está em exposição na Pinacoteca di Brera, em Milão.

A pintura retrata São Roque, que além de ser o patrono dos cães, é bastante invocado também como um método de defesa contra todos os tipos de pragas. As representações de São Roque geralmente mostram uma ferida bulbosa em sua coxa, que muitos acreditam que representa várias pragas.

A pintura que mostro aqui, retrata um objeto longo, que parece ser um verme saindo de uma ferida aberta na perna de São Roque. Alguns estudos mais antigos diziam que o objeto que saía da perna dele seria um fio de pus, mas já que os vermes da Guiné normalmente saem através de uma ferida na perna exatamente como na imagem, os pesquisadores agora acreditam que a imagem retrata que São Roque sofria da doença do verme da Guiné: “Os historiadores da arte sempre identificaram esse elemento como uma gota de pus emergindo do lado de fora da ferida infectada. Acreditamos, em vez disso, que o pintor retratou um caso antigo de dracunculíase, uma doença infecciosa causada por um verme, bem conhecido na antiguidade, do Egito dos Faraós à Mesopotâmia e à Grécia antiga, bem documentado por várias fontes como o Antigo Testamento e o escritor grego Agatharchides“.

Esta pintura dificulta a compreensão histórica da doença do verme da Guiné e sua distribuição. O fato de uma pintura italiana do século XV retratar o parasita significa que os peregrinos que voltaram das Cruzadas poderiam trazer a doença de volta para a Europa, para surpresa dos paleopatologistas. Hoje, graças à educação, as melhorias na qualidade do saneamento de água e cuidados médicos, apenas algumas dezenas de casos de vermes da Guiné são registrados em todo o mundo a cada ano. A doença pode em breve ser a primeira infecção parasitária a ser completamente erradicada.

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