Home / Estranho e Extraordinário / Olive Oatman: a garota com queixo tatuado

Olive Oatman: a garota com queixo tatuado

Olive Oatman, nasceu em 1837 e era uma das sete crianças filhas de Royce e Mary Ann Oatman, que eram seguidores da religião Mórmon.

Em 1850, sua família decidiu seguir em um comboio liderado por James Brewster, mas no caminho foram informados de que eles iam para a Califórnia e não mais para Utah que era o destino inicial. Por este motivo, o grupo se dividiu perto de Santa Fé, no Novo México, com Brewster seguindo a rota norte. Os Oatmans e várias outras famílias escolheram a rota do sul através de Socorro e Tucson.

Perto de Socorro, Royce Oatman assumiu o comando até chegarem no Novo México no início de 1851, quando descobriram que o clima não era o que eles esperavam e assim deixaram a ideia de ir para o rio Colorado de lado. Em Maricopa Wells, descobriram também que seguir o caminho adiante não seria fácil e os índios da região eram hostis.

Assim, algumas famílias resolveram ficar em Maricopa Wells. Royce Oatman não queria isso pra sua família e seguiu em frente em busca de um lugar para construir um futuro para seus sete filhos, mas no quarto dia um grupo de índios nativos americanos chegou neles e pediu tabaco, armas e comida. Não se sabe ao certo o que aconteceu naquele dia, mas por algum motivo a família foi atacada e quase todos assassinados (Lorenzo havia ficado inconsciente). Quando se recuperou, Lorenzo foi em busca de sua família, mas achou apenas os corpos de seus pais e 4 irmãos. Olive, de 14 anos, e Mary Ann, de 7 anos não estavam em lugar nenhum.

Os Yavapais haviam levado Olive e Mary Ann, junto com o que conseguiram roubar da carroça dos Oatmans para sua aldeia que ficava a mais ou menos 100km de distância. As meninas foram amarradas com cordas e obrigadas a caminhar vários dias pelo deserto, com isso elas ficaram desidratas e fracas. Quando pediam água ou tentavam descansar um pouco, eram cutucadas com lanças e forçadas a continuar a caminhada.

Na aldeia dos Yavapai elas foram tratadas como escravas. As crianças da tribo as queimavam com bastões quentes, além de serem espancadas frequentemente. Posteriormente, Olive comentou que tinha certeza que seriam mortas ali.

Elas viveram dessa maneira entre os Yavapai por cerca de um ano, quando um grupo de índios Mojave foi até a aldeia e trocou cavalos, legumes e cobertores pelas meninas. Com o acordo selado, as meninas tiveram que caminhar mais algumas centenas de quilômetros em direção a aldeia Mojave que ficava perto de onde hoje é Needles, na Califórnia.

Nesta nova terra, a vida das meninas melhorou muito. As meninas foram levadas para a família de um líder tribal e foram adotadas como membros da comunidade. Mary Ann e Olive receberam pedaços de terra para cultivar. Para provar seu apreço e participação como membros da tribo, elas ganharam tatuagens no queixo, como todos da tribo (de acordo com os costumes Mojaves, essas marcas eram dadas ao seu próprio povo para garantir que tivessem uma boa vida após a morte).

Em 1855, a tribo experimentou uma seca severa além de uma escassez de alimentos. Mary Ann Oatman acabou morreu de fome aos onze anos de idade, junto com vários índios da tribo Mojave.

Lorenzo Oatman ainda buscava informações sobre suas irmãs desaparecidas e ainda em 1855, as autoridades da região ouviram rumores de que havia uma jovem branca vivendo entre os Mojaves. Um membro (Francisco) da tribo vizinha, Quechan, foi até a aldeia Mojave com uma mensagem do governo dos EUA. Eles queriam que eles explicassem porque ela estava com eles. Os Mojave não quiseram responder e posteriormente sequestraram ela por segurança.

Com medo de represálias por parte do governo, Francisco continuou insistindo que a entregassem. Essa negociação foi bastante longa e em alguns pontos a própria Olive se manifestou. Uma parte de seu relato segue abaixo:
“Descobri que eles haviam dito a Francisco que eu não era americana, que eu era de uma raça de pessoas muito parecida com os índios. Eles tinham pintado o meu rosto e pés e mãos de uma cor parda e desbotada, ao contrário de qualquer raça que eu já vi. Me disseram que enganaram Francisco e que não devo falar com ele em inglês. Eles me disseram para falar com ele em outro idioma e dizer que eu não era americana. Eles então esperaram para ouvir o resultado, esperando ouvir meu absurdo e testemunhar o efeito convincente sobre Francisco. Mas falei com ele em inglês e contei a ele a verdade e também o que eles me mandaram fazer”.

É claro que com o depoimento, alguns Mojaves ficaram furiosos, chegando mesmo a sugerir que ela deveria ser morta como punição. A família que a adotou não concordou, mas fez uma proposta ao governo americano: em troca de Olive, eles queriam cavalos e cobertores.

Em 28 de fevereiro de 1856, Olive Oatman foi resgatada e escoltada em uma jornada que durou vinte dias até chegar em Fort Yuma. Poucos dias depois de chegar, ela descobriu que Lorenzo estava vivo e estava procurando por ela. O encontro dos dois rendeu manchetes em vários jornais da época.

Em 1857, o reverendo Royal Stratton escreveu a história de Olive: “A vida entre os índios: o cativeiro das garotas Oatman“, um dos poucos relatos publicados sobre o cativeiro indiano na época. Foi tão bem sucedido que acabou se tornando um best-seller.

No ano seguinte, os Oatmans se mudaram para Nova York com Stratton, e Olive participou dos circuitos de palestrar para divulgar seu livro. Era raro ela aparecer em público sem usar um véu que cobrisse seu rosto tatuado.

Muito do que realmente deve ter acontecido com Olive Oatman durante seu tempo com os nativos americanos permanece desconhecido. Existem rumores de que ela tenha sido casada com um Mojave e tenha até gerado filhos, mas ela sempre negou.

Em novembro de 1865, Olive se casou com o pecuarista John Fairchild. Eles moraram em Detroit, por sete anos antes de se mudarem para Sherman, Texas, onde Fairchild era presidente do Banco da Cidade. Ele fez sua fortuna lá no setor bancário e imobiliário. Dizem que Fairchild queimou todas as cópias do livro de Stratton que ele conseguiu encontrar.

Olive Oatman Fairchild morreu de um ataque cardíaco em 20 de março de 1903, com 65 anos. Ela está enterrada no Cemitério West Hill em Sherman, Texas.

Veja também

Lithoreda abanatica. Esse estranho animal que come rochas e defeca areia

Reuben Shipway é um Ph.D em biologia marinha e pesquisador do Centro de Ciências Marinhas …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Powered by themekiller.com