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Histórias de árvores assassinas

O nosso planeta possui uma quantidade abundante de plantas e árvores. Não é incomum que algumas vezes elas sejam vistas apenas como parte de uma paisagem, um espaço verde e tranquilo que faz parte de onde vivemos. Pouco se pensa a respeito das árvores, e com certeza elas não são consideradas assustadoras, ameaçadoras e até mesmo mortais. Acontece que ao longo da história houveram vários relatos de árvores que eram contrárias a esse pensamento, não apenas causando medo, mas chegando até mesmo a matar. Estas árvores misteriosas parecem ter sede de sangue, ameaçam aqueles ao seu redor e parecem ser mais do que apenas um conjunto de galhos, folhas e tronco.

Expedição a Nova Guiné

Em todas as partes do mundo existem relatos de árvores assassinas e com diferentes formatos. Um relato interessante vem de 1885, quando uma expedição alemã seguiu para a Nova Guiné, comandada pelo tenente Immer Gassende e acompanhado pelo Dr. Kummel. Lá, encontraram uma árvore estranha e diferente de todas as outras que já haviam visto. Está árvore era letal e encontrava-se nas florestas infestadas de mosquitos da região.

A expedição começou sua jornada na costa de Cape Della Torre e seguiu para o interior através da selva úmida e pantanosa, passando por tribos de nativos e uma infinidade de criaturas venenosas. Depois de 12 dias de caminhada através de uma vegetação quase impenetrável, subiram mais de 5.000m acima do nível do mar, eles encontraram áreas que pareciam parques, ou seja, um terreno muito mais fácil do que os dos últimos dias. Estranhamente, a medida que avançavam, começaram a perceber problemas em sua bússola, algumas vezes ela parecia descontrolada. Também notaram que havia muitos esqueletos de animais espalhados pelas clareiras.

Ao longo dos dias, o Dr. Kummel continuou vasculhando o deserto à procura de novos espécimes de animais e plantas e, em um dos dias ele se deparou com uma enorme árvore de um tipo que ele nunca havia visto antes em uma clareira. A árvore estava cercada por uma série de protuberâncias que saíam do chão. Era com certeza uma nova espécie, mas de que tipo ela era, ele ainda não conseguia saber. Em um determinado ponto, um dos homens tirou um pedaço dessas protuberâncias com seu facão e a partir disso as coisas começaram a ficar estranhas.

Quando ele quebrou um pedaço do material que havia retirado, perceberam que dentro havia um núcleo estranho bem no centro. O Dr. Kummel nunca tinha visto nada parecido e correu para pegar o espécime e, quando o fez, de repente gritou de dor e ficou se contorcendo até cair no chão em uma espécie de transe. Quando os outros membros da expedição lhe perguntaram o que havia acontecido, ele que ainda estava um pouco grogue disse que ao tocar na peça, ela lhe dera um choque elétrico muito forte. Um dos homens, talvez sem acreditar, também resolveu tocar a peça e sentiu a mesma coisa, sendo arremessado no chão.

Nesse momento, Gassende se aproximou e fez um teste. Pegou um pedaço de fio de cobre e colocou uma extremidade em cada lado do núcleo, e com isso constatou que havia corrente elétrica circulando. Como essa corrente podia existir, ninguém sabe. Os pesquisadores apenas garantiram que foram feitos vários experimentos na árvore e que viram muitas outras árvores do mesmo tipo, mais adiante do local onde estavam.

Gassende infelizmente adquiriu uma febre muito forte que lhe ameaçou a vida e com isso a expedição foi obrigada a retornar para o navio e, portanto não houveram outras investigações adicionais sobre essas estranhas árvores elétricas. Gassende alegou ter recolhido amostras das árvores, como madeira, caroços e até sementes, mas até hoje não se sabe muito bem o que aconteceu com elas. O Dr. Kummel acreditava que as árvores eram as responsáveis pelos esqueletos que eles haviam visto espalhados na região, pois com seus choques elétricos, poderiam facilmente matar animais ou coisas que estivessem perto delas.

Considerando que não existe nada parecido com isso no mundo vegetal que conhecemos, seria uma descoberta incrível, mas não se conhece mais nada a respeito, além desses relatos dessa expedição.


Árvore Serpente

Não é claro se a história da árvore elétrica da Nova Guiné atacava apenas com a intenção se defender. Conta-se que dentro das florestas remotas do México, existe um tipo de árvore conhecida como “Árvore Serpente“. As lendas contam que essa misteriosa árvore cresce a uma altura de até 6 metros e tem um tronco maciço e retorcido. Além disso, a árvore não possui qualquer folhagem e que seus galhos são pegajosos e parecidos com cobras, cobertos de pequenas ventosas que se espalham por todas as direções e que se movimentam constantemente como serpentes.

Embora a Árvore Serpente pareça se alimentar principalmente de animais pequenos, há pelo menos um relato de uma delas que teria atacado um humano. Em um relato de 1890, um botânico seguiu para o deserto mexicano em busca de espécimes variados. Durante essa jornada, ele observou esta árvore e testemunhou uma revoada de pássaros passar sobre ela e ser violentamente entrelaçada nos ramos mortais e puxada para dentro da massa de tentáculos, desaparecendo. O botânico assustado, mas curioso, chegou mais perto dela. Posteriormente ele relatou um ataque a ele:

Eu me aproximei tanto quanto me atrevi e examinei a árvore. Era de tamanho baixo, não mais do que 20 pés, mas cobria uma grande área. Seu tronco era de espessura prodigiosa, nodoso e escamoso. Do alto do tronco, a poucos metros do chão, seus galhos escorregadios se curvavam para cima e para baixo, quase tocando o chão com suas pontas afiladas. Sua aparência era a de uma gigantesca tarântula aguardando sua presa. Ao me aventurar a tocar levemente um dos membros, ele fechou minha mão com tanta força que, quando consegui tirá-la, a pele veio junto“.


Árvore Porco-Espinho ou Skunk Tree

Outra árvore com péssimo comportamento foi relatada como existindo no deserto do Arizona (EUA). Em 1894, um relatório falava de uma árvore que aparentemente seria de “espécies coníferas“, que tinha aproximadamente 25 pés de altura e com enormes e finos espinhos. Quando ela estava em estado relaxado, os espinhos ficavam perto de seus galhos, e conta-se que ela exalava um cheiro agradável e doce. Acontece que, se a árvore estivesse agitada de alguma forma, seus espinhos eram erguidos, e o aroma que antes era atraente, era substituído por um fedor horrível. Isso acontecia com frequência se algum animal chegava perto da árvore. Se algo se aproximasse mesmo ela estando relaxada, os espinhos atacavam e rasgavam seus inimigos, mutilando e até matando-os. As histórias também dizem que ela é incrivelmente resistente a danos feitos por armas ou facas. O Coronel Brace Dion contou:

Há mais coisas esquisitas no acre no Arizona do que em qualquer outra parte desta terra larga, e de acordo com a minha ideia, e eu sei bem perto do que são coisas estranhas, a coisa mais estranha em todo Arizona é a árvore que tem um temperamento pior do que uma ópera de quadrinhos. Algumas pessoas no Tanque de Houck chamam essa árvore de porco-espinho, e alguns dizem que seu nome é skunk tree. Eu chamo isso de árvore sagrada do terror. Mas não importa como você o chama, é um trabalho estranho da natureza.”


Em 1895, foi descoberta no Havaí uma outra árvore estranha. Um botânico inglês que explorava a região, entrou em uma ravina e seu guia local não quis segui-lo de jeito nenhum. Achando que era apenas superstição do seu guia, ele seguiu o caminho e encontrou uma espécie de buraco circular que, segundo ele, teria cerca de 100 jardas de diâmetro (+/- 92 metros). Ao redor dessa depressão, ele conseguiu ver um círculo feito de ossos brancos (de animais, pássaros e até humanos). Ele notou também que não crescia nenhuma vegetação em qualquer lugar a pelo menos 15 metros de distância dali. Bem no centro, havia ainda uma outra abertura menor, de onde saíam tentáculos e uma espécie de fumaça.

Quando começou a escurecer, o guia começou a se desesperar e apelou para que o botânico saísse dali o quanto antes. Ele resolveu voltar e continuar a exploração apenas no dia seguinte. Quando amanheceu, antes de sair, o guia fez uma espécie de ritual para protegê-lo do mal e então ele seguiu novamente em direção a depressão que havia visto um dia antes. Enquanto caminhava pelo deserto, viu uma parede de lava, e logo do lado uma árvore de uns 4 metros de altura, que parecia uma alga. Ela possuía “belas serpentinas que irradiavam” e também tinha um círculo de ossos ao redor. Assim que ele se moveu, percebeu que as serpentinas começaram a se mexer e apontar em sua direção.

Sentindo-se ameaçado, o botânico resolveu sair dali, mas escorregou e caiu. Nesse momento, ouviu um assobio alto e algo o atingiu com tanta força na cabeça que ele desmaiou. Quando acordou, viu um objeto longo, parecido com uma cobra, andando sobre as rochas. Ele também ouviu um zumbido que preencheu todo o ar da região. Ele escapou dali o mais rápido que pode, e nunca mais conseguiu ir até a região para descobrir o que realmente era tudo aquilo que ele tinha visto.


Bohon Upas

Um outro conto sobre árvores estranhas diz que na ilha de Java, existia uma árvore mortal, conhecida pelos habitantes da região como Bohon Upas (“upas” é “veneno” em javanês). Uma das primeiras menções a respeito desta árvore no Ocidente veio de um relato feito por católicos franceses. O viajante Frei Jordanus, escreveu no século XIV sobre árvores em Java que produziam flores que exalavam uma nuvem venenosa e nociva que mataria qualquer coisa que se aproximasse delas. Relatos esporádicos de árvores más vieram com alguns viajantes durante os séculos, e como a selva de Java é muito selvagem e remota, a ideia de árvores assassinas naquele lugar, tomou conta da imaginação dos ocidentais.

A história do Bohon Upas ganhou popularidade no século 18, quando JN Foersch, um médico alemão,  afirmou em um artigo da The London Magazine que ele havia coletado vários relatos de primeira mão dessas árvores assassinas quando estava trabalhando nas Índias Orientais Holandesas como cirurgião, e que a partir desses relatos resolveu montar uma expedição e encontrar as tais árvores. No seu relato, Foersch alegou que apenas uma dessas árvores realmente existia, e que ele a havia descoberto nas selvas, em uma área isolada. De acordo com o relato, a árvore até que tinha uma boa aparência, mas o estranho é que em uma enorme distância ao seu redor, não existia qualquer vegetação, e qualquer animal que tentava se aproximar era sufocado por um gás nocivo. Até pássaros que voavam para próximo da árvore, caíam durante o voo.

Foersch contou também que, durante sua expedição no deserto, conheceu um velho eremita que vivia à margem dessa parte devastada. Esse eremita disse que estava na região para fornecer equipamentos para algumas pessoas que teriam sido enviadas a árvore com a intenção de retirar uma parte de sua potente resina. Essas pessoas, eram criminosos que tinha sido julgados a pena de morte, mas em troca da sua vida, aceitavam essa missão. Eles eram enviados ao local usando roupas muito pesadas e luvas resistentes, mas apenas uma única pessoa tinha conseguido sobreviver. Foersch disse que a resina tóxica foi coletada para ser usada com a finalidade de executar criminosos. Ele disse também que testemunhou o uso do veneno em pelo menos uma ocasião e que a vítima morreu se contorcendo em grande agonia.

Por mais incrível que seja esse relato, cientistas sérios da época em sua maioria ridicularizaram o relatório de Froesch, mas não todos. Até hoje, o relato de Foersch é acusado de ser um conto exagerado e que não mostrou quase nada de veracidade. Há de fato uma árvore que os locais chamam de upas, que realmente produz um veneno mortal, que eles usam para flechas com ponta envenenada, mas a árvore não produz nuvens no ar que matam qualquer coisa perto dela. Acredita-se que a fumaça que mata, pode ser resultado de gases tóxicos gerados por um vulcão extinto chamado Guava Upas, que sua cratera expelia gás carbônico e enxofre, isso sim poderia realmente extinguir a vida de criaturas que chegassem muito perto.

Não se sabe se a árvore Bohon Upas realmente existiu ou não, mas é um conto interessante.


Umdhlebi

Outra árvore assassina que se assemelha a Bohon Upas em alguns aspectos, supostamente existiu na região de Zululand , África do Sul. Chamada Umdhlebi ou Umdhlebeassim (“Árvore da Morte”), esta árvore parece com uma faia, e usa seu gás venenoso para matar animais, com a intenção de fertilizar o solo. Segundo relatos, era possível ver ao redor dessas árvores, pilhas de esqueletos e carcaças de animais em vários estágios de decomposição. Os exploradores que conseguiram se aproximar mais das árvores Umdhlebi relataram uma grande variedade de sintomas desagradáveis, como calafrios, dores de cabeça, olhos vermelhos, dor no corpo, erupções cutâneas, inchaço abdominal, diarréia, febre e delírio. Além disso, se a casca espessa fosse cortada, liberava um líquido agressivo como ácido, que queimava a pele e derretia objetos. Parece que sua madeira também era tóxica e se fosse usada como lenha, produzia uma fumaça que podia ser letal. Alguns outros relatos afirmam que essas árvores podiam até mesmo se desenraizar e mudar de um lugar para o outro.

O curioso nesse caso é que um dos antídotos conhecidos para o veneno da árvore, podia ser feito com seus próprios frutos, que tinham uma aparência horrível. Exploradores e botânicos famosos como Henry Callaway e William Turner Thiselton-Dyer, compararam os Umdhlebi e os Bohon Upas, chegando a sugerir que as espécies podiam estar relacionadas. Infelizmente, está é mais uma árvore que não se pode confirmar a existência, pois existem apenas relatos de missionários e exploradores.


Jubokko

Esta árvore assassina, muito provavelmente foi enraizada no mais puro mito. Trata-se de uma árvore vampírica, que assombrava os desertos do Japão. As lendas contam que nos locais onde havia guerras e batalhas, uma estranha árvore nascia do solo encharcado de sangue para se alimentar principalmente dos cadáveres abandonados. Chamadas de Jubokko, esta árvore parecia uma árvore normal, mas com pilhas de ossos ao seu redor. Com certeza, ela não se satisfazia apenas com os restos dos mortos, e se alguém chegasse perto demais, seria pego pelo Jubokko, e teriam seu sangue completamente drenados de seus corpos. Outros acreditavam que a árvore crescia em meio a outras, como uma forma esperta de pegar visitantes descuidados.

Outras histórias dizem que quando o tronco ou ramos do Jubokko são cortados ou quebrados, eles sangram sangue como os de humanos, e que se alguém consegue escapar de suas garras, esse sangue tem até mesmo propriedades medicinais. Acreditava-se também que a árvore podia se regenerar muito rapidamente.

É possível que nós nunca saberemos se algumas dessas árvores realmente existiu. Nenhuma delas nunca foi recolhida, então nos resta apenas especular e imaginar. A única coisa que temos certeza é que há uma certa sedução e curiosidade, em acreditar que esses organismos comuns nas nossas vidas, podem atacar e até mesmo matar seres vivos.

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