Fotografias pós-morte

Hoje em dia vivemos em uma sociedade que possui muitas facilidades tecnológicas e, uma delas é a possibilidade de tirarmos fotos em alta qualidade em praticamente um instante. Você que está lendo, provavelmente deve possuir centenas de fotos em seu celular ou câmera digital. Mas em algum momento você pensou em tirar um foto de alguém após sua morte? Parece meio mórbido, não?

Mas na década de 1850, na Inglaterra da era vitoriana, apenas as famílias mais ricas podiam pagar por um retrato pintado a mão ou uma escultura de um parente, a invenção do daguerreótipo permitiu que a fotografia passasse a ficar mais barata e aqueles com origem socioeconômica mais baixa pudessem ao menos capturar uma última memória de seus entes queridos. Muitas vezes, essas eram as únicas fotos tiradas de seus parentes.

Historicamente falando

Nos séculos XIX e XX, a morte estava por toda a parte. A crescente urbanização e industrialização, aumentou a população e combinando isso com o pouco conhecimento e prática da higiene, a propagação de doenças como escarlatina, febre tifoide, tuberculose , difteria e cólera eram crescentes e por sua vez, fatais. A mortalidade infantil chegou a atingir 33% em algumas áreas de Londres, em 1849.

Mesmo para os adultos, a situação não era muito boa. Enquanto hoje em dia a maior parte dos adultos vive mais de 70 anos, naquele período e naquela região, a expectativa de vida não ia muito além dos 42 anos.

Com o surgimento da indústria funerária no século XX e com o surgimento de hospitais, a mudança com que os americanos interagia com a morte, foi mudando rapidamente. Mas naquela época, a morte era algo mais comum e, até por isso, muitas famílias já estavam “preparadas”.

Depois que a rainha Vitória decidiu usar roupas pretas pelo resto da sua vida em luto à morte de seu marido, os ingleses começaram a negociar roupas e acessórios especificamente para o período de luto.

A aparência da morte

Como a imagem podia ser arranjada e manipulada, esse tipo de fotografia permitia que a família retratasse exatamente aquilo que desejava, mostrando como desejavam se lembrar de seus entes queridos.

Dessa maneira, a maior parte das famílias tentavam dar a impressão de que os mortos estavam apenas dormindo (ou em alguns casos, simulando estarem vivos). Era comum maquiarem o cadáver para esconder os sinais da morte (olhos fundos, pele amarelada, etc), dando a ilusão de que eles ainda estavam vivos. Alguns artistas mais habilidosos chegavam até mesmo a pintar um olho sobre a pálpebra fechada.

Atenção aos detalhes

É muito fácil encontrar sites na internet com fotos pós-morte mas, muitas dessas imagens são na realidade fotografias normais da era vitoriana.

Como o processo fotográfico daquela época era bem diferente do atual, era necessário um longo tempo de exposição até a imagem ser capturada (30 segundos ou mais) e, com isso, muitos fotógrafos usavam uma espécie de suporte para evitar que o fotografado se mexesse, algumas vezes esse “suporte” acabava aparecendo na foto, mas não significa que o fotografado estava realmente morto.

É comum achar que uma criança que aparece na foto sendo sustentada por um adulto seja uma foto pós-morte. Na verdade, muitas mães mantinham os bebês em poses como se estivessem sendo velados, para que o foco principal da imagem fosse a criança e não fosse perdido com a presença de outra pessoa na foto. Esse estilo de fotografia também é chamado de “mãe oculta” e é um produto altamente colecionável.

A maior parte das pessoas fotografadas após a morte, na verdade não estavam em alguma pose muito elaborada. Muitos foram fotografados nos caixões ou no leito de morte e coberto com flores. O objetivo não era fazer com que parecessem vivos, mas apenas documentá-los em seu estado atual antes de começar a decomposição do corpo.

Se você tiver dúvidas sobre uma pós-morte, observe os detalhes. Veja se há inchaço ou outros sinais, se há uma mãe posando para a criança, se existe um suporte para manter a cabeça da pessoa no lugar. A verdade é que a maior parte dessas fotos é fácil de ser identificada como tal.

Repensando a morte

Embora a primeira vista, as fotos pareçam perturbadoras, quando levamos em conta o contexto histórico pelo qual elas foram criadas, entendemos que elas são bens valiosos para quem as encomendou, transformando os corpos dos mortos em algo bonito. São tributos emocionantes aos mortos e, de alguma maneira podem ajudar até mesmo na sociedade atual a reconsiderar a maneira como exploramos a morte.

Fontes:
BBC
Clara Barton Museum
The Collector
Dusty Old Thing

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