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O Barbeiro Fantasma de Pascagoula

Em 1942, uma pequena cidade que crescia rapidamente no Mississippi, chamada Pascagoula, começou a perceber que algo inquietante havia começado a acontecer durante as noites. Um “fantasma” estava invadindo as casas dos cidadão em busca de “troféus”. O intruso procurava pegar algo muito pessoal de suas vítimas… leia-se, uma parte de seus corpos. O perturbado fantasma carregava duas tesouras e, enquanto a vítima dormia inocentemente, o louco usaria as ferramentas para remover seus cabelos.

Pascagoula experimentou um crescimento explosivo no início da década de 1940. Passou de uma pequena aldeia de pouco mais de 2.000 pessoas, a uma cidade de 15.000 habitantes, de tamanho médio, em poucos anos. Este crescimento foi devido à guerra na Europa. A maioria dos novos cidadãos era composta por novos funcionários para a produção de navios de guerra. Como a população, as autoridades da cidade logo perceberam que com mais pessoas no local, maior seriam as possibilidades de acontecerem situações estranhas e perturbadoras.

Os passeios noturnos da misteriosa pessoa rotulada como “The Phantom Barber” (Barbeiro Fantasma) começaram em junho. Apesar do aumento da segurança o “fantasma” conseguiu se deslocar sem ser detectado. Seu modus operandi consistia em cortar uma fenda em uma tela de janela, ganhando assim a entrada para o lar. Silenciosamente rastejava até a cama e então retirava o cabelo da vítima. Algumas poucas vezes ele chegou a retirar todo o cabelo, aparentemente sem motivo algum. Acontece que ele tinha uma predileção na escolha das vítimas, eram sempre mulheres, e a maioria loiras.

A cidade ficou em frenesi. As mulheres se recusaram a sair à noite e houve uma quantidade enorme de autorizações para que homens pudessem andar armados. Mesmo assim, foi inútil, já que o misterioso “fantasma” continuou em suas missões. No entanto, durante uma noite de sexta-feira da segunda semana de cerco ao Barbeiro, ocorreu um incidente que mudou a dinâmica da situação e, tornou-se ainda mais ameaçador.

Alguém conseguiu entrar no lar do Sr. e Sra. Terrell Heidelberg usando a mesma técnica do Barbeiro. No entanto, depois de cortar a tela, o agressor atacou o casal quando eles se deitaram na cama. Em vez de retirar uma quantidade de cabelo, o agressor retirou os dois dentes da frente da Sra. Heidelberg com um golpe rápido com uma barra de ferro que a deixou inconsciente. Passou então a atacar a cabeça do Sr. Heidelberg. Nenhuma das vítimas (que incrivelmente sobreviveram ao incidente) foram capazes de descrever seu atacante. Dessa vez, o intruso deixou uma pista. Os policiais acharam um par de luvas cobertas de sangue jogadas em um bosque próximo. Os cachorros farejaram o rastro, e a evidência sugeriu que o suspeito tinha subido numa bicicleta para escapar.

O final da onda de crimes aconteceu duas semanas depois. Os detalhes repetiam o padrão inicial, mas bem menos perverso que o último ataque. Uma área de mais ou menos duas polegadas de comprimento da cabeça da Sra. RR Taylor foi a única parte do corpo violada naquela noite. A Sra. Taylor disse que ouviu um som por volta da meia-noite e instantaneamente sentiu um cheiro horrível, recuperando a consciência apenas de manhã e percebendo a falta daquele pedaço de cabelos.

Em agosto, o chefe da polícia anunciou que o Barbeiro Fantasma, havia sido preso. O suspeito era William A. Dolan, um químico de 57. Ele foi acusado especificamente da tentativa de assassinato dos Heidelberg. Antes, Dolan já havia sido preso por transgressão. E o magistrado local, que também era o pai do Sr. Heidelberg, não quisera diminuir a fiança de Dolan. Na época, isso o havia enfurecido e motivado o crime. Mesmo esse sendo o único crime em que Dolan foi condenado (dez anos de prisão), algumas provas tentadoras entrelaçaram seu nome com a identidade do Barbeiro Fantasma.

Primeiro, Dolan empregou o mesmo método Barbeiro para entrar na residência de Heidelberg. Em segundo lugar, pedaços de cabelo foram encontrados no quintal da casa de Dolan. Em terceiro lugar, Dolan fez declarações públicas que demonstravam simpatia pela causa alemã. A maioria dos cidadãos em Pascagoula concluiu que Dolan estava roubando os cabelos para serem utilizados como perucas. Depois da prisão de Dolan, os roubos de cabelo cessaram.

Os criminologistas contemporâneos não tem tanta certeza de que a culpa é de Dolan. Eles apontam que a gravidade no ataque aos Heidelberg desmentem uma psicose que é bastante acentuada, diferente da disposição calma que o Barbeiro possuía. Os especialistas também observam que as psiques criminais como a do o Barberiro, guardariam seus “troféus” em um lugar bem guardado, e não descuidadamente expostos.

Em 1948, enquanto seu caso estava sendo revisado pelo governador do Mississippi, Fielding Wright, Dolan passou por um detector de mentiras. Ele negou o envolvimento em qualquer crime desde sua primeira prisão. Ele foi libertado um ano e meio antes de acabar sua pena, e nunca mais infringiu a lei. Em 1951, Dolan mudou-se para Bay St. Louis com sua esposa e seguiu o resto de sua vida gerenciando uma pequena loja.

As autoridades realmente apreenderam o homem correto ou usou um bode expiatório? Seja qual for o caso, o Barbeiro manteve uma cidade assustada durante todo o verão de 1942.

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