Batalha-Fantasma em Keinton

O que não conhecemos provoca espanto e temor. Ao homem primitivo, o temor e o espanto eram mais constantes do que o alimento e a bebida. E juntamente com estes fatores, mais forte do que eles estava a curiosidade. Séculos de experimentação, exploração, vôos, infinita paciência, esforço mental e físico, fizeram recuar gradualmente as fronteiras do desconhecido.

O relato a seguir, trata de um mergulho casual no passado, ou uma reexibição no presente de um drama anteriormente ocorrido. O diferencial é que esta experiência foi testemunhada, não por duas, mas por dezenas de pessoas. Trata-se do caso da Batalha-Fantasma.

Nessa época, ainda não haviam muitas investigações psíquicas, porém, ainda assim, o registro do acontecimento é tão bem apoiado que  muitos o aceitam sem nenhuma objeção, como parte real da história da Inglaterra. Trata-se da Batalha-Fantasma na Colina de Edge, em Northamptonshire durante lutas do Rei Carlos I contra o Parlamento. Segue abaixo em resumo:

A verdadeira batalha, ocorreu na aldeia de Keinton, em 23 de outubro de 1642, entre o exército do Rei Carlos I e o Exército do Parlamento, sob o comando do Conde de Essex. Na véspera do Natal, cerca de dois meses após o fim da batalha, e logo após a meia-noite, alguns pastores e camponeses vizinhos da Colina foram acordados por rufos de tambores e ruídos de aproximação de soldados e artilharia. Todos correram de suas casas. Estavam muito apavorados, e todos aglomeravam-se, trêmulos.

De repente, no ar, materializaram-se soldados-fantasmas. De um lado haviam as tropas do Rei e do outro as do Parlamento. Era possível ouvir os estrondos de explosões de mosquetes e canhões, as arremetidas, relincho dos cavalos, gemidos e gritos de feridos. A luta durou até aproximadamente as três da madrugada, quando o exército real debandou. O outro exército permaneceu no local, regozijando da vitória. Depois, tudo se desvaneceu.

As testemunhas, ainda assustadas, retornaram apressadamente para a aldeia. Lá, relataram o ocorrido ao juiz de paz, William Wood e ao “pregador do verbo de Deus”, Samuel Marshall. Ambos zombaram da história. Ainda assim, resolveram acompanhar o grupo na noite seguinte até o local. No local, eles também testemunharam a fantástica representação, que seguiu o roteiro anterior no mínimos detalhes. No sábado e domingo seguintes, novamente foi travada a batalha-fantasma.

As notícias ganharam tanta notoriedade que chegaram aos ouvidos do Rei Carlos de Oxford. Na intenção de acabar com o relato, o Rei enviou a Keinton três oficiais conhecidos por seu ceticismo. Os três entrevistaram muitos aldeões, e duvidando de tudo, resolveram sentar-se na encosta da colina nas noites de sábado e domingo, assim assistiram por duas vezes a batalha. Além disso, chegaram a reconhecer alguns dos soldados, particularmente Sir Edmundo Varney, que havia morrido ali na batalha original. Perante o Rei, prestaram o juramento de seu testemunho.

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