A repórter que sabia demais

Dorothy Kilgallen nasceu em Chicago em julho de 1913 e sua carreira jornalística começou antes mesmo de ter terminado a faculdade, no New York Evening Journal.

Foi em 1938 que ela começou a assinar sua própria coluna, chamada The Voice of Broadway, que basicamente era sobre notícias e fofocas do show business e, eventualmente sobre política e crime organizado.

Com o passar do tempo ela se transformou em uma das figuras mais populares (e até odiadas) da mídia, além de conseguir sem muitos esforços se envolver no mundo da alta sociedade. Ela foi amiga de Marilyn Monroe e chegou até a sair com Ernest Hemingway.

Assim como muitos colunistas que lidam com pessoas famosas, com ela não foi diferente e sua lista de casos polêmicos foi enorme.: desde ufologia, passando por Frank Sinatra, Sam Shepard, Elvis Presley e até o pugilista Beny Paret (que após uma luta de boxe ficou alguns dias em coma).

Mas a vida pessoal de Dorothy também não era muito fácil. Seu casamento com Richard Kollmar não era muito bom, o que gerou uma separação e uma série de casos de Dorothy, enquanto Kollmar sucumbiu ao alcoolismo e posteriormente tirando a própria vida.

A principal paixão de Kilgallen certamente era o jornalismo (principalmente investigativo) e ela era corajosa, ambiciosa e motivada. Por isso, a grande questão nem é sobre a sua vida, mas sim sobre a sua morte. Em outubro de 1965, Dorothy Kilgallen foi encontrada morta em seu apartamento, por uma suposta overdose de drogas.

Mark Shaw, um escritor e advogado, no entanto não acredita que a morte dela foi suicídio nem mesmo acidental. Estranhamente, ela morreu poucas semanas antes de uma viagem programada para encontrar com um informante, relacionada a uma investigação que ela já fazia a quase dois anos a respeito da morte de John F. Kennedy.

Shaw acredita que a morte de Dorothy foi orquestrada por algum mafioso que temia que seu livro revelasse que ele poderia ser o mentor do assassinato do presidente.

Certamente, Dorothy tinha muitos inimigos, alguns daquele tipo que ninguém gostaria de ter. Além disso, seu esforço em descobrir a verdade sobre o assassinato do presidente John F. Kennedy. A CIA também não estava muito feliz com o trabalho dela, ainda mais quando ela foi a primeira jornalista a divulgar que a CIA e a Máfia trabalharam juntas (principalmente com a intenção de se livrarem de Fidel Castro).

Kilgallen começou a juntar documentos que acabaram se transformando num grande arquivo sobre o caso, arquivo esse que desapareceu por completo após sua morte. Dorothy acompanhou muito de perto o julgamento de Roby por matar Lee Harvey Oswald (assassino de JFK). A determinação de Dorothy era tanta, que ela foi a única jornalista que conseguiu entrevistar Ruby ainda durante o julgamento.

Com certeza sua vida corria perigo e isso leva a questão de sua intrigante e polêmica morte. Será que ela se matou? Será que foi suicídio? Mark Shaw aponta várias falhas na autópsia de Kilgallen, além de um estranho homem que ela teria conhecido no Regency Hotel apenas poucas horas antes de sua morte.

Se você se interessou pelo assunto, você pode tentar conseguir uma cópia de “The Reporter Who Knew Too Much: The Mysterious Death of What’s My Line TV Star and Media Icon Dorothy Kilgallen” (disponível na Amazon, apenas em inglês). Acredito também que o livro deve ser lido por pessoas que queiram saber mais a respeito dos perigos que podem acompanhar a vida de um jornalista investigativo, mas acima de tudo, o livro é um estudo de uma mulher que lutou para encontrar a verdade por trás de uma enorme conspiração e acabou pagando um preço alto por isso.

Fontes:

Wikipedia
Daily Mail
The Dorothy Kilgallen Story

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