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As misteriosas cartas de Circleville

Circleville é uma pequena cidade, as margens do rio Scioto, em Columbus, Ohio. É o tipo de cidade pequena do interior onde todas as pessoas se conhecem. Provavelmente ainda é uma daquelas poucas cidades onde é possível deixar as portas de casa abertas a noite e nada vai acontecer. Mas, em 1976, isso mudou. A cidade passou a viver um terror, que ficou conhecido como as cartas de Circleville.

As cartas começaram a chegar nas caixas de correio dos habitantes, e continham ameaças de violência e informações pessoais que, em alguns casos, apenas o destinatário conhecia. As cartas eram escritas com muito ódio e nenhuma delas tinha uma endereço de remetente. Todas elas seguiam o mesmo estilo e escritas em letras maiúsculas (acredita-se que para encobrir a caligrafia do autor).

Os primeiros alvos

Apesar de muitos dos 14.000 habitantes da cidade terem sido alvos das cartas, uma mulher foi aparentemente escolhida por um severo tratamento. Mary Gillespie dirigia um ônibus escolar e estava entre os primeiros alvos do autor. Além de revelar fatos perturbadores, como o de sua casa estar sendo vigiada pelo autor, a carta também alegava que Mary estava tendo um caso com um superintendente de escolas. O autor exigiu que ela parasse e que ela não estava sendo alvo de uma brincadeira.

Várias outras cartas foram enviadas para ela, o teor era similar em todas. A princípio, a mulher ficou apavorada e escondeu tudo. Mary começou a manter um ar preocupado em suas atividades do dia-a-dia. Ela conseguiu realmente fazer um bom trabalho escondendo de todos o seu medo e as cartas que recebia, até que uma das cartas chegou endereçada a Ron Gillespie, o marido de Mary. Na carta dele, o escritor foi direto ao ponto. Mandou que ele acabasse o casamento, caso contrário iria morrer.

Mary a princípio falou a Ron que não fazia ideia do que o autor estava falando, e que ela não tinha nenhum caso extraconjugal. Poderia até ter sido uma tentativa de chantagem, mas a reputação de Mary já estava danificada. O casal trabalhou juntos para tentar ignorar as ameaças e intimidações, até que uma outra carta mudou rapidamente esse pensamento.

A carta dizia: “Gillispie, você teve 2 semanas e não fez nada. Admita a verdade e informe a diretoria da escola. Se não, eu vou transmiti-lo na CBS, cartazes, placas e outdoors, até que a verdade apareça.

Ele começaram a tentar imaginar quem era o autor das cartas, e as suspeitas se concentraram no cunhado de Ron, Paul Freshour. Para testar essa hipótese, os Gillespie usaram o pânico como ferramenta e enviaram a Paul várias cartas escritas da mesma maneira. Nas cartas eles falavam que sabiam quem ele era e o que ele estava fazendo. Em uma das cartas pediram para que ele parasse com as atividades antes que houvesse qualquer violência. Essa manobra feita pelo casal Gillespie pareceu funcionar.

O corpo de Ron é encontrado

Para o casal Gillespie, mesmo não tendo certeza de que era Paul Freshour quem mandava as cartas, eles pelo menos achavam que tudo tinha acabado.

Em 19 de agosto de 1977, o telefone tocou e foi tratado como outro telefonema comum. Ron atendeu. Mary nunca descobriu o que foi dito ou quem fez a ligação, mas se identificou como o autor fantasma.

Ron, impaciente pegou sua pistola e saiu de casa. Em um cruzamento perto de onde moravam, o veículo de Ron atingiu uma árvore e Ron acabou morrendo. Se a pessoa que tinha feito a ligação era mesmo o escritor das cartas, certamente durante a ligação deve ter havido alguma ameaça à vida de Ron. Quando a polícia investigou o acidente, eles descobriram que a arma de Ron havia sido disparada uma vez. O acidente aconteceu logo depois que Ron saiu de casa, e nenhum tiro foi relatado.

O acidente foi considerado um acidente comum, apesar de fatos estranhos terem surgido. Um exame pós-morte registrou que o nível de álcool no sangue de Rony era 1,5 vezes o limite legal. Aqueles que conheciam Ron confirmaram que ele era abstêmio. O escritor de cartas fantasma começou a entrar em contato com vários outro moradores, quase implorando para que fosse realizada uma investigação mais completa do acidente.

A tentativa de assassinato de Mary

As cartas de Circleville começaram a circular de novo muito rapidamente. Assim como Mary Gillespie e sua família, as autoridades políticas do local também passaram a ser mirados pelo escritor. A hostilidade demonstrada nas cartas a Mary passaram a ser demais para Mary e, acabou admitindo que realmente tinha um caso, mas insistiu que só começou depois que a primeira das cartas foi entregue.

Apesar de tudo que aconteceu, Mary se manteve no emprego. Seis anos após o início de tudo, quem quer que estivesse por trás disso deu um passo mais ousado na sua tática. Enquanto ia para o trabalho, Mary percebeu um sinal na rota do seu ônibus escolar, que ameaçava a vida de sua filha. Então ela parou o ônibus e foi até lá.

Ela notou uma caixa com uma corda amarrada em um poste. Mary tirou a caixa e voltou ao ônibus para abri-la. Dentro havia uma armadilha na forma de uma pistola. Por sorte, essa armadilha nada fez e assim ela novamente ligou para a polícia, a investigação descobriu muito rápido que havia sido feita uma tentativa de apagar o número de série da arma. A arma foi rastreada e chegou até Paul Freshour que, mais uma vez insistiu não saber nada sobre os acontecimentos.

Teste de caligrafia

A arma era a única pista sólida que a polícia tinha à disposição. Então forçaram Freshour a fazer um teste de caligrafia no qual ele tinha que copiar algumas das cartas de Circleville. O xerife ficou satisfeito com o fato de Freshour parecer ser o escritor de cartas de Circleville por sua caligrafia ser parecida e prendeu Freshour por tentativa de homicídio.

O julgamento começou no final de 1983 e, apesar de ter um álibi para o dia da tentativa da armadilha na vida de Mary, ele foi condenado e sentenciado a 25 anos de prisão. Muitos dos moradores de Circleville já estavam convencidos de que Freshour era mesmo o culpado, apesar das evidências dadas durante o julgamento. Freshour permaneceu afirmando sua inocência até morrer em 2012.

Cartas continuam chegando

Enquanto preso, Freshour era considerado exemplar. Ele raramente conseguiu contato com o mundo exterior. Mesmo encarcerado, cartas continuaram a chegar aos residentes de Circleville. Até os guardas da prisão duvidavam que Freshour fosse o culpado. As autoridades, no entanto ainda não estavam convencidas e afirmavam que, de alguma forma, ele era responsável por tudo o que era acusado.

Enquanto ele estava na prisão, recebeu uma carta misteriosa que dizia: “Agora, quando você vai acreditar que não vai sair dai? Eu te disse há 2 anos. Você não ouve nada?”. Seis meses após a libertação de Freshour, o programa de TV Unsolved Mysteries exibiu um programa sobre as Cartas de Circleville. Alguns dias depois, a televisão conseguiu uma das cartas que simplesmente dizia: “Esqueça Circleville, Ohio… se você vier para Ohio, você vai pagar. O escritor de Circleville”.

 

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