A lenda do tesouro enterrado de Thomas J. Beale

As história das cifras de Beale ou o tesouro de Beale são um conjunto de mensagens cifradas que Thomas J. Beale deixou com um amigo em 1822. Porém, quase 200 anos depois, as mensagens permanecem como um dos maiores enigmas criptografados e não solucionados.

Como tudo começou

Tudo começou em 1820, quando Thomas J. Beale se hospedou pela primeira vez no Washington Hotel em, Lynchburg, Virgínia (EUA), e, mesmo tendo passado todo o inverno naquela região e se tornado uma pessoa conhecida, nunca comentou sobre suas origens nem o porque de estar a tanto tempo ali. Poucos meses depois, ele sumiu, tão de repente como havia aparecido.

Dois anos depois (1822), Thomas Beale voltou para Lynchburg e ficou durante o resto do inverno, desaparecendo na primavera. Antes de sair, deixou com Robert Morriss uma caixa de ferro lacrada que ele disse conter “papéis de valor e importância”. Além disso, ele não deveria abrir a caixa pelos próximos 10 anos a não ser que ele, ou alguém autorizado por ele fossem retirar. Beale também explicou que um amigo dele em St. Louis tinha a chave para decifrar as mensagens e que se algo acontecesse, esse amigo a mandaria para Robert Morriss.

Morriss, como prometido, guardou a caixa e aguardou o retorno de Beale, porém ele nunca mais retornou. A carta que este amigo de Beale deveria enviar 10 anos depois (em junho de 1832), nunca foi recebida por Morriss.

A abertura da caixa

Morriss esperou bastante tempo, até 1845, mas como não teve nenhuma notícia nem de Beale nem de seus companheiros, resolveu abrir a caixa e ver o que havia lá dentro. Dentro da caixa ele encontrou um bilhete escrito por Beale em um inglês bastante simples e três folhas que continham apenas números. O bilhete contava a história de Beale, a caixa e as cifras. É claro que Morriss tentou decifrar os códigos sozinho, mas sem a tal chave era impossível.

O conteúdo

O bilhete dizia como em abril de 1817, Beale e mais 29 pessoas seguiram viagem pela América e um certo dia quando estavam acampados em uma ravina, um dos homens descobriu uma fenda nas rochas e viu algo que parecia ser ouro.

O grupo resolveu minerar a região e ficaram por lá por 18 meses. Depois de juntar uma boa quantidade de ouro e prata, decidiram que a riqueza deveria ser mantida em um local seguro. Beale pegou uma parte dessa riqueza e trocou por jóias para reduzir o peso. Em 1820, viajou para Lynchburg e lá enterrou esse tesouro. Foi nessa viagem que ele conheceu Morriss.

Quando o inverno acabou, Beale seguiu novamente com seus homens para a região onde haviam estado antes e trabalharam por mais 18 meses. Quando voltou para Lynchburg pela segunda vez tinha ainda muito mais coisas para adicionar ao estoque inicial. Dessa vez, com a preocupação de que algo acontecesse a um dos homens, Beale resolveu achar alguém de confiança que pudesse entregar os tesouros as famílias caso alguém morresse. Foi aí que Morriss entrou na história.

A busca pelo tesouro

Morriss deduziu que aqueles homens haviam morrido e se sentiu com a responsabilidade de entregar o tesouro as famílias daquelas pessoas, mas é nesse ponto que começa o maior problema. As mensagens com a localização e descrição do tesouro, além da lista dos parentes, estavam criptografadas naquelas três folhas que só tinham números.

Morriss tentou por 20 anos revelar o que havia naqueles códigos, mas percebeu que era hora de dividir aquele segredo com alguém, pois já estava bastante velho. Morriss entregou o conteúdo a um amigo (que se manteve anônimo com medo de que algo pudesse afetar sua vida pessoal ou seu trabalho). Esse amigo, posteriormente publicou um panfleto contando a história de Beale e com a segunda página dos códigos. Nessa página era possível saber qual era o tesouro em detalhes, mas não onde ele poderia ser encontrado.

O método e processos de deciframento

O panfletista deduziu que cada número poderia representar uma ou mais letras, já que os números representavam maiores valores do que as letras do alfabeto. O que não se sabe é como ele descobriu que o texto-chave para decifrar o código era a Declaração da Independência dos Estados Unidos.

O método que ele utilizou consiste em pegar as palavras do texto, de acordo com a numeração da página cifrada. Neste caso, por exemplo, o primeiro número da página é 115, e a palavra marcada com esse número na declaração é “instituted“, então esse primeiro número representa a letra “i”. Já o segundo número, 73, na declaração é a palavra “hold“, então 73 representa a letra “h”.

Mensagem 2

Mensagem 2

Seguindo este processo, ele conseguiu traduzir toda a página, cuja mensagem traduzida é:

“Eu depositei no condado de Bedford, a seis quilômetros de Budford, em uma escavação ou cripta, cerca de 1,80m abaixo da superfície do solo, o seguinte conteúdo, tudo pertencendo às partes cujos nomes serão dados no texto número 3. O primeiro depósito consiste em mil e quatorze libras de ouro e três mil, oitocentas e doze libras de prata, depositadas em novembro de 1819. O segundo depósito foi feito em dezembro de 1821 e consiste em mil novecentas e sete libras de ouro e mil duzentas e oitenta e oito libras de prata. Também há jóias obtidas em St. Louis em troca da prata, para reduzir o peso do material transportado, valendo 13 mil dólares. Tudo está seguramente acomodado em potes de ferro com tampas de ferro. A cripta encontra-se forrada com pedras, os potes permanecem sob pedras e mais pedras. O texto número 1 indica a exata localização da cripta, desse modo não haverá dificuldade em encontrá-la.”

Com a tradução, é possível descobrir o valor aproximado do tesouro, mas a Declaração de Independência não foi suficiente para decifrar os outros 2 papéis, que permanecem ocultos até os dias de hoje.

A caça continua

Apesar de não se saber se tudo isso é uma armação ou mentira, muitas pessoas ainda mantém a esperança de achar esse tesouro escondido. Todos os anos, Bedford recebe pessoas vindas de todas as partes que tentam localizá-lo. As empresas locais até conseguem um bom lucro alugando equipamentos, detectores de metal, escavadeiras e etc para esses caçadores de tesouro.

A história das cifras de Beale já foi cenário para vários documentários, livros, programas de TV e vem se mantendo bastante ativa em sites da internet.

Existe uma teoria de que o verdadeiro autor do panfleto seria Edgar Allan Poe. Sabe-se que Poe era um entusiasta da criptografia e publicou em sua época, vários criptogramas no jornal Alexander Weekly. No entanto, pesquisadores desacreditam nessa possibilidade, já que Poe morreu bem antes da publicação do panfleto e também porque no texto há uma citação sobre a Guerra Civil Americana, que aconteceu apenas em 1861.

Você acha que as cifras de Beale permanecem enterradas em algum lugar próximo a Bedford? Ou tudo não passa de uma história inventada que até hoje atrai e mantém um mito a respeito de um tesouro que vale mais de 10 milhões em moeda atual? Deixe seu comentário.

Fontes:
Wikipedia
Wikipedia
Mental Floss
Simon Singh

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