Tentando melhorar a alimentação das suas tropas, Napoleão mudou a forma como as pessoas se alimentam até hoje

Você tem alguma comida enlatada em casa? Muitas pessoas hoje dependem delas para fazer refeições rápidas e práticas que facilitam a correria do dia-a-dia. O que você provavelmente não sabe é que o criador por trás disso foi Napoleão Bonaparte. Para ser ainda mais específico, foi através de um concurso de preservação de alimentos que ele criou.

Sabemos que hoje existem métodos bem modernos de fabricação e conservação de alimentos, mas antes disso, as pessoas preservavam a comida da maneira que conseguiam. Aqueles que moravam em regiões de clima frio, congelavam a comida. Os que moravam em regiões mais desérticas, secavam a comida no sol e no vento quentes. Em lugares mais remotos da América do Norte, as pessoas guardavam a comida em caixas de gelo, feitas literalmente esculpidas no gelo.

No fim dos anos 1700, Napoleão queria encontrar uma maneira mais prática e eficaz de alimentar suas tropas. Durante essa época, a comida era preservada secando ou decapando (processo de conservar alimentos com uma solução de água e sal). Acontece que essa maneira não era prática para alimentar um exército enorme como o dele, além disso, esse tipo de preservação não agravada ao paladar de Napoleão. Então em busca de uma solução para esse “problema”, ele ofereceu 12.000 francos franceses para quem pudesse fornecer uma nova maneira de preservar alimentos para serem transportados.

Um chef de cozinha de Paris chamado Nicolas Appert começou a fazer experimentações em 1795. Sua inspiração veio a partir das garrafas de vinho. Appert colocou comida em frascos de vidro reforçando a tampa com arame e posteriormente lacrando com cera. Os potes eram então embrulhados em uma tela e fervidos até que Appert achasse que a comida estava cozida o suficientemente. Appert conseguiu conservar com sucesso enlatados de frutas, legumes, sopas, produtos a base de leite e sucos.

Embora Appert não tenha entendido como… seu método funcionou. Somente mais de 50 anos depois, Louis Pasteur provaria que o calor matava bactérias. Quando Appert esquentava os potes, matava os organismos vivos que estavam lá, e quando o calor diminuía, o pote ficava selado, e impedia a entrada de outras bactérias.

A Appert apresentou frutas e vegetais engarrafados na exposição gastronômica de Paris, 1806, a Exposição dos Produtos da Indústria Francesa.  Os juízes não ficaram impressionados e ele não ganhou nenhum prêmio. A imprensa, no entanto, reconheceu uma revolução na garrafa. “Em cada garrafa, e com pouca despesa, há uma doçura gloriosa que lembra o mês de maio nas profundezas do inverno”, escreveu Alexandre Grimod de la Reynière, no Independent .

Depois de 15 anos realizando testes, Nicolas Appert apresentou sua invenção ao governo francês em 1810, que concordou em conceder-lhe os 12.000 francos, desde que ele tornasse seu processo público. Ainda naquele ano, ele publicou A Arte de Preservar Substâncias Animais e Vegetais, o primeiro livro de receitas desse tipo sobre a preservação moderna de alimentos. No mundo da arte culinária, ele é conhecido como “o pai das conservas”.

Appert patenteou sua invenção e usou o dinheiro de seu prêmio para construir a primeira fábrica comercial de conservação de alimentos, a Casa de Appert, em Masay, nos arredores de Paris. Permaneceu em funcionamento por mais de 100 anos, de 1812 a 1933.

Na França, onde a comida é praticamente adorada, Nicolas Appert é visto como um herói menor. Existem 72 ruas nomeadas; uma escola secundária leva o nome dele; o governo emitiu um selo comemorativo em 1955; e em 2010, para celebrar o 200º aniversário de sua invenção, o ano inteiro foi dedicado a ele.

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