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O inferno na visão de várias religiões

De acordo com a maioria das crenças religiosas, o inferno é o lugar onde pecadores e injustos serão punidos após a morte. Geralmente é descrito como sendo no subterrâneo e representado por fogo, apenas algumas poucas culturas acreditam que seja frio e sombrio.

A palavra inferno é derivada do inglês antigo Hel e também se relaciona com o nórdico antigo. As representações que sobreviveram do politeísmo através da mitologia nórdica apresentam Hel, como sendo a filha de Loki e Angrboda e governaria Niflheim.

As religiões que contam uma história divina linear, descrevem o inferno como um lugar infinito, enquanto as que tem uma história divina cíclica, ele é visto como um período intermediário entre as encarnações.

Para os seguidores das religiões islâmicas e do Cristianismo, a fé e o arrependimento tem um papel maior no destino da alma após a morte do que as próprias ações em vida do indivíduo.

Conheça um pouco mais, logo abaixo.

Bahá’í

De acordo com a fé Bahá’í, inferno e céu são apenas lugares simbólicos. Os escritos bahá’ís descrevem o inferno com sendo uma condição espiritual de alguém que se afastou de Deus, enquanto o céu é exatamente o inverso, ou seja, um estado de aproximação com Deus.

O fundador desta fé, Baha’u’llah, disse que a vida após a morte está além de nossas compreensões, mas quando um indivíduo morre, sua alma guarda sua consciência e pode ser lembrar de sua vida física, além de reconhecer outras almas e até se comunicar com elas.

A visão bahá-í faz várias analogias com o ventre materno, e resume a visão da vida na terra mais ou menos assim: da mesma maneira que o útero é um lugar importante para o desenvolvimento inicial de uma pessoa, o mundo físico como conhecemos, proporciona o desenvolvimento individual da alma. Para os adeptos dessa fé, a vida como conhecemos é apenas um estágio onde se pode desenvolver as qualidades necessárias para a próxima vida.

A religião bahá-í é a que mais cresceu no período entre 1910 e 2010, de acordo com dados da ONU e a maior parte de seus seguidores está localizada na Ásia, África e América Latina.

Budismo

Assim como em outras religiões, no Budismo também existem várias crenças a respeito do inferno. A maior parte das escolas de pensamento budista, Theravada, Mahayana e Vajrayana reconhecem vários infernos, que para eles são lugares de sofrimento para quem fez más ações durante a vida.

Há uma grande quantidade de budistas modernos, mais especificamente nas escolas ocidentais, que pensam que o inferno é apenas um estado de espírito. Isso tem sido apoiado por alguns estudiosos que defendem a interpretação de partes das escrituras simbolicamente e não literalmente.

Cristianismo

A maioria dos cristãos vê o inferno como o lugar de castigo eterno para os pecadores que não se arrependeram. Acredita-se que os descrentes merecem o inferno por causa do pecado original e diferente do que eles entendem por Purgatório, no inferno a condenação é final e irreversível.

Existem dezenas de interpretações sobre o inferno, mas no que se refere a ele na Bíblia é muito vago. Os livros de Mateus, Marcos e Judas, falam sobre um lugar de fogo, mas em Lucas e no livro do Apocalipse, ele é relatado como sendo um abismo. Ainda no livro de Apocalipse, ele também aparece como um “lago de enxofre ardente“.

Para a maior parte dos cristãos, a condenação acontece logo após a morte, mas alguns acreditam que ocorre apenas após o “dia do julgamento” que é relatado no livro do Apocalipse.

Hinduísmo

No hinduísmo, existem contradições quanto a haver ou não um inferno (“Narak” em hindi). Para alguns, trata-se apenas de uma metáfora para a consciência. No livro Mahabharata há uma menção de que os Pandavas e os Kauravas vão para o inferno. Os infernos também são descritos em vários Puranas (antigos textos hindus) e em outras escrituras. Garuda Purana dá um relato detalhado sobre o inferno e suas características, além das punições para a maioria dos crimes (omo nosso código penal).

Para os que acreditam, as pessoas que cometem ‘paap‘ (pecado) vão para o inferno e têm que passar pelas punições de acordo com os pecados que cometeram. O deus Yama (deus da morte), é o rei do inferno. Chitragupta é o guardião dos registros e ele tem o relato detalhado de todos os pecados cometidos por um indivíduo. Chitragupta lê os pecados cometidos e Yama ordena as punições a serem aplicadas. As punições são variadas, desde mergulhar em óleo fervente, queimar em fogo, tortura com armas, etc. Quando os indivíduos terminam sua cota de punições, eles renascem de acordo com seu karma.

Islamismo

Os muçulmanos acreditam em jahannam (derivado do hebraico gehennim), que é semelhante ao inferno no cristianismo. No Alcorão, o livro sagrado do Islã, pode-se ler descrições do condenado a um inferno de fogo, enquanto no paraíso (jannah), há um jardim que pode ser desfrutado pelos que foram bons em vida.

Além disso, céu e inferno são divididos em muitos níveis diferentes, tudo depende das ações que o indivíduo teve durante a vida. As punições variam de acordo com o mal feito.

Para os seguidores do islã, Satanás não é o governante do inferno, apenas mais um de seus sofredores. O portão do inferno é guardado por Maalik. O Alcorão afirma que o combustível do fogo do inferno são pedras (ídolos) e os humanos.

Os nomes do inferno são muitos de acordo com a tradição islâmica no Alcorão e Hadith: Jahim / Hutamah / Jahannam / Ladza / Hawiyah / Saqor / Sae’er / Sijjin / Zamhareer.

Normalmente o inferno é retratado como um lugar quente, mas na tradição islâmica existe um inferno diferente chamado Zamhareer que é o inferno de extrema frieza e nevascas, gelo e neve que ninguém vivo poderia suportar.

O poço mais baixo de todos os infernos existentes é o Hawiyah, que é destinado aos hipócritas. A hipocrisia é considerada o pecado mais perigoso de todos.

Embora no Islã, o diabo, ou shaytan, seja criado a partir do fogo, ele sofre no inferno porque o fogo do inferno é 70 vezes mais quente que o fogo do nosso mundo. Também diz que shaytan é derivado de shata (“queimado”), porque foi criado a partir de um fogo sem fumaça.

Judaísmo

O judaísmo não possui uma doutrina específica no que diz respeito a vida após a morte, mas para eles existe a Gehenna, que não é bem um inferno, é mais parecido com o purgatório, onde há um julgamento baseado nos feitos do indivíduo durante a vida. A Cabala descreve a Gehenna como se fosse uma sala de espera para todas as almas (não apenas para os maus). De acordo com o que li, a maior parte dos rabinos acredita que o tempo máximo de permanência na Gehenna é de mais ou menos 11 meses.

Alguns consideram a Gehenna como uma forja espiritual onde a alma é purificada para sua ascensão a Olam Habah (“o mundo por vir”, uma analogia ao céu).

Quando alguém se desvia da vontade de deus, diz-se que um está em gehinom. Não é necessariamente relativo ao futuro, mas ao momento presente. Diz-se também que os portões de teshuvá (retorno) estão sempre abertos, então se alguém se desviou do caminho, pode alinhar-se com ele novamente a qualquer momento. Estar fora do alinhamento com a vontade de Deus é em si uma punição de acordo com a Torá.

Mitologia Maia

Na mitologia maia, existe um submundo que é dividido em 9 níveis que são governados por demônios. Este mundo se chama Xibalba. De acordo com a crença, a estrada para entrar e sair de lá é bastante íngreme e espinhosa.

Dos 9 níveis deste submundo, Metnal é o mais baixo e mais horrível e é governado por Ah Puch. Os curandeiros entoavam orações de cura e baniam as doenças e males para o Metnal, por isso de ele ser tão horrível.

No Popol Vuh, existem algumas aventuras relatadas dos heróis maias em sua luta contra os senhores do mal de Xibalba.

Taoísmo

O antigo taoísmo não possuía o conceito de inferno, já que a moralidade era vista como uma distinção feita pelo próprio homem, além disso não havia o conceito de alma. Como no seu país de origem (China) o taoísmo acabou adotando princípios de outras religiões, passou a se crer num inferno onde muitas divindades e espíritos punem o pecado de diversas maneiras horríveis.

Mitologia chinesa

Embora o Taoísmo tenha surgido na China, existem outras mitologias que cercam os chineses. Por exemplo, para uma boa parte da população, o nome inferno não possui uma conotação negativa. Para eles existe apenas o Diyu, que é um labirinto de níveis subterrâneos e câmaras onde as almas são levadas para expiar seus pecados terrestres.

Imagine uma estação de controle de imigração, é mais ou menos assim que alguns chineses imaginam o inferno. Em um funeral chinês, eles queimam notas de dinheiro do inferno para os mortos. O dinheiro do inferno pode ser usado pelo morto para tentar subornar o soberano do inferno e gastar o resto desse dinheiro no inferno ou no paraíso. Acreditam também que se o morto gasta todo o dinheiro do inferno, ele não ganhará mais nenhum e seguirá durante a eternidade como uma alma pobre.

E você, o que acha que existe após a morte? Inferno? Céu? Nenhum dos dois, apenas uma escuridão eterna em silêncio? Deixe seu comentário.

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2 comentários

  1. No meu ponto de vista, o inferno é o pra onde vão as almas que causaram sofrimento em vida. Onde elas sofrem exatamente o que causaram, na mesma intensidade, a mesma dor.
    O que não tenho em mente é como seriam punidas as almas suicidas.

    • Acho que vou incluir a visão dos espíritas sobre o inferno, mas segue um resumo: No “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, ele diz que o inferno é um estado de consciência, onde os sentimentos ruins e os defeitos predominam na personalidade do indivíduo. São pessoas imperfeitas e ignorantes, que possuem o inferno dentro de suas consciências.

      De acordo com a Bíblia, o sexto mandamento diz: “Não matarás”, então quem comete suicídio está quebrando esse mandamento, logo, pecando. Ainda na própria Bíblia, existem relatos de suicidas, por homens reconhecidamente de Deus, mas em nenhum momento as escrituras tratam a situação como honrosa.

      Como no texto diz, para algumas religiões a fé e o arrependimento podem salvar uma alma. Mas a questão no caso do suicídio é: teria o sujeito tempo hábil para confessar seus pecados e se arrepender, no espaço entre atentar contra a vida e a morte propriamente dita?

      Vou pesquisar sobre o assunto em outras religiões e se for o caso complementar essa resposta ou mesmo criar um post sobre o assunto.

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