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Campanha colaborativa: Canibal Filmes – Os Bastidores da Gorechanchada

Texto retirado da campanha no Catarse, feito pelo Petter Baiestorf. A ideia é juntar apoiadores o suficiente para que seja viável o lançamento do livro “Canibal Filmes – Os Bastidores da Gorechanchada“.

Quem curte filmes de baixo orçamento, assim como eu, com certeza já deve ter visto ou ao menos ouvido falar a respeito de algum filme ou curta produzido pela Canibal Filmes. Não assisti a todos os filmes produzidos, mas os que vi sempre achei maravilhosos e é claro que eu não poderia deixar de apoiar esta ideia incrível (já fiz a minha contribuição e estou ansioso pra ver o resultado).

O interessante aqui também é que se a meta for atingida (e será), haverão outras recompensas que serão estendidas caso o valor alcançado seja superior ao previsto inicialmente.

Link para a campanha do financiamento coletivo do livro AQUI:

Na década de 1980, jovens do mundo inteiro se utilizaram de câmeras VHS para fazer seus primeiros filmes; esse movimento não organizado ficou conhecido como Shot On Video, ou abreviando, SOV. No Brasil, liderados por Petter Baiestorf, um dos primeiros grupos a fazer SOVs foi a Canibal Filmes.

Tomando o Cinema Marginal e o Cinema produzido na região da Boca do Lixo, em São Paulo, como referência, a Canibal Filmes iniciou a produção de filmes de horror e sci-fi de baixíssimo orçamento e inventou seu próprio sistema de distribuição, utilizando-se do correio, para chegar em todos os cantos do Brasil, USA, Canadá e países da Europa.

Na década de 1990, a Canibal Filmes foi a principal responsável no Brasil por tentar criar um mercado independente de produções em vídeo, aos moldes do que os fanzineiros e as bandas undergrounds faziam. Seus filmes tomaram de assalto shows punks, de death/black metal e, principalmente, grindcore/goregrind. Já naquela época, fechavam parcerias com bandas e outros cineastas transgressores. Seu método de produção inspirou praticamente todos os cineastas brasileiros que estão na ativa hoje produzindo filmes de horror e sci-fi, principalmente por mostrar que era possível driblar a falta de recursos.

No início do século XXI, Petter Baiestorf e Cesar Souza escreveram o livro “Manifesto Canibal”, que ensinava como fazer filmes sem recurso algum, e acabou se tornando uma referência ao jovem artista.

Com o advento das mídias digitais, a Canibal Filmes continuou sua história e produção independente, tendo realizado uma série de filmes de horror que se destacaram em festivais brasileiros e internacionais, como “Zombio” – oficialmente a primeira produção brasileira envolvendo zumbis –, “Zombio 2” – selecionado em mais de 50 festivais de cinema fantástico pelo mundo –, “Ninguém Deve Morrer” – vencedor de melhor filme, produção e edição no Festival Guarú Fantástico, em Guarulho/SP –, e “Ándale!” – curta-metragem experimental ganhador de vários prêmios de melhor produção experimental. A rica produção da Canibal Filmes ultrapassa mais de 100 filmes realizados de maneira independente nesses quase 30 anos de produções.

O livro contará a história da Canibal Filmes, que começou a produzir em 1992 utilizando-se do suporte VHS e seus integrantes e ex-integrantes compartilham aqui histórias hilárias de bastidores que envolvem muitos fanzineiros, bandas e produtores conhecidos da década de 1990; contam, também, como sobreviveram à troca do analógico pelo digital, como se adaptaram aos tempos virtuais mantendo seu foco num sistema de produção completamente independente que nunca bebeu de dinheiro público de editais, se mantendo por três décadas fiéis ao seu estilo de pensar e criar cinema.

O mais incrível dessa trajetória, iniciada na pequena cidade rural de Palmitos – Santa Catarina, em uma região sem tradição cinematográfica –, é que conseguiu fazer as suas produções influenciarem grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, pela inventividade com a qual eram produzidos e distribuídos em todo território nacional em uma época pré-internet.

O autor, Petter Baiestorf, também co-dirigiu alguns projetos coletivos produzidos fora da Canibal Filmes, como “As Fábulas Negras”, que teve co-direção de Zé do Caixão, Rodrigo Aragão e Joel Caetano, e “13 Histórias Estranhas”, projeto do produtor Ricardo Ghiorzi que envolveu 13 diretores do cinema fantástico do Brasil. E foi ator/técnico em filmes de cineastas como Ivan Cardoso, Dennison Ramalho, Gurcius Gewdner, Dellani Lima, entre outros. Foi objeto de estudo do coletivo acadêmico que lançou três edições do livro “Cinema de Bordas”. E foi a personagem principal nos documentários “Baiestorf – Filmes de Sangueira e Mulher Pelada” (2004), de Christian Caselli e “Baiestorf” (2017), de Bruno Sant’Anna.

Dos fanzines ao cinema; dos shows undergrounds aos festivais brasileiros; do cinema gore em VHS ao cinema splatter em 4k; do humor nonsense ao cinema político, “Canibal Filmes – Os Bastidores da Gorechanchada” mostra, com narrativa ágil e muito divertida, a trajetória deste grupo único nas artes brasileiras!

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