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Aubrey Beardsley – O artista mais controverso da era Art Noveau

Quando pensamos em artistas controversos ao longo da história, inevitavelmente vêm a mente Picasso e Warhol, poucos conhecem também Aubrey Beardsley. Este ilustrador da era Art Nouveau, junto com sua arte intrigante e sombria, cultivou uma personalidade escandalosa.

Beardsley, nascido como Aubrey Vincent Beardsley, já era considerado um prodígio artístico desde pequeno. Sua família estava em uma situação pouco confortável, então ele e sua irmã começaram a fazer pequenos duetos musicais em locais públicos para ajudar a família financeiramente. Ainda na escola, ele desenhou caricaturas e escreveu poemas para a revista escolar Past and Present.

Quando tinha sete anos, ele contraiu tuberculose, uma doença que o deixou na cama, frágil e incapaz. A luta contra a tuberculose se estendeu a um problema de saúde para o resto da vida que, de acordo com historiadores da arte, estava fortemente ligado ao seu fascínio pelo macabro e pelo grotesco, exemplificado através de seu desenho Auto-retrato na cama  (1894) onde um menino pequeno é engolido pela sua cama.

Quando terminou o segundo grau, ele trabalhou em uma agência de seguros e passou a maior parte dos seus horários de almoço desenvolvendo um portfólio de desenhos. Em 1891, ele e sua irmã decidiram arriscar a sorte no estúdio do pintor e ilustrador Sir Edward Burne-Jones, que adorou o talento e a imaginação de Beardsley, e o recomendou para a Westminster School of Art. Logo depois, a tuberculose voltou a atingir Beardsley, mas isso não o desencorajou.

Depois de matriculado na escola de arte, em menos de um ano todos os professores já haviam lhe notado e começaram a passar contatos de editores e ilustradores. Um desses contatos, o editor Joseph Dent, deu a Beardsley a chance de ilustrar Le Morte D’Arthur escrito por Sir Thomas Malory. Esta colaboração ajudou bastante a questão financeira do jovem artista. Em um curto período de sete anos, antes de sucumbir à tuberculose aos 26 anos, Beardsley produziu mais de 300 ilustrações. Conforme escrito na História da Arte, seu trabalho exibiu uma “mistura de poses clássicas e composições complexas encontradas na arte pré-rafaelita e padrões decorativos, duas dimensões planas e eróticas de japoneses e as imprime com uma fixação decadente na morte”.

A carreira artística de Beardsley desenvolveu-se simultaneamente com sua notoriedade como um dos artistas mais controversos de seu tempo. Seu estranho senso de humor e fascínio com o grotesco revoltou e repeliu o público vitoriano, criticando seus conceitos de sexualidade, consumismo, papéis de gênero e beleza. As ilustrações tinham como objetivo principal chocar os espectadores, mostrando imagens desagradáveis, como vícios e sexualidade em seus rostos.

Um dos colegas artísticos de Beardsley no regime vitoriano foi o autor Oscar Wilde. Os artistas compartilharam uma admiração mútua e Beardsley até ilustrou Salomé. De acordo com Matthew Sturgis, autor da biografia Aubrey Beardsley , o sexo teve uma profunda influência no trabalho de Beardsley e sua intensa preocupação com ele foi expressa em seu romance pornográfico Under the Hill,  que foi escrito e ilustrado com desenhos eróticos pelo próprio Beardsley.

Os desenhos eróticos e a reputação social infame deixaram Beardsley sem dinheiro e condenados pelo mundo editorial de Londres após a prisão de Wilde em 1895, na qual Beardsley foi considerado culpado por associação. Em 1897, ele voltou para a França na casa de sua mãe e, em seu leito de morte, pediu que alguns de seus desenhos “obscenos” fossem queimados (mas não foram). Ele morreu com sua mãe e sua irmã ao seu lado, que colocou sua cópia favorita de  La Dame aux Camelias  em seu caixão.

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