Adrian Carton de Wiart, o homem indestrutível

Conheça a história de Adrian Paul Ghislain Carton de Wiart, um oficial do exército britânico que serviu em três dos maiores conflitos mundiais: Guerra dos Bôeres, Primeira Guerra Mundial e Segunda Guerra Mundial. Entre mais de 20 títulos, recebeu a Victoria Cross que é a mais alta condecoração militar concedida por bravura “diante do inimigo” em vários países da Commonwealth (Organização intergovernamental composta por 53 países membros independentes. Todas as nações membros da organização, faziam parte do Império Britânico, do qual se separaram).

Sobre suas participações na Primeira Guerra Mundial, Wiart disse apenas: “Francamente, gostei da guerra” e posteriormente, em suas memórias: “Os governos podem pensar e dizer o que quiserem, mas a força não pode ser eliminada, ela é o único poder real e incontestável. Somos informados de que a caneta é mais poderosa que a espada, mas eu sei qual delas é a arma que eu escolheria“. Conheça agora um pouco mais sobre sua história.

Juventude

Carton de Wiart nasceu em uma família aristocrática em Bruxelas, em maio de 1880. Era o filho mais velho de Léon Carton de Wiart e era considerado por muitos um filho ilegítimo do rei dos belgas, Leopoldo II.

Em 1891, sua madrasta inglesa o mandou para um internato na Inglaterra, depois ele foi para outro colégio, que largou quando decidiu servir na Segunda Guerra dos Bôeres por volta de 1899, onde entrou com o nome falso de “Trooper Carton” e alegando ter 25 anos, quando na verdade não tinha mais do que 20.

Segunda Guerra dos Bôeres

Em sua participação na Guerra dos Bôeres, Carton de Wiart foi ferido no estômago e na virilha e voltou para casa quase inválido. Seu pai ficou furioso quando soube que ele havia largado os estudos, mas deixou que ele continuasse no exército. Os ferimentos que ele sofreu nesta guerra acabou acendendo o desejo de melhorar sua forma física, que ele cultivou correndo, caminhando e praticando esportes.

Mesmo tendo servido ao exército britânico por oito anos, ele permaneceu sendo súdito belga, até que em 13 de dezembro de 1914 ele jurou lealdade a Eduardo VII e foi formalmente naturalizado como britânico.

Primeira Guerra Mundial – Campanha Somalilândia

Quando a Primeira Guerra Mundial estourou, Carton de Wiart estava a caminho da Somalilândia Britânica, onde uma guerra de baixo nível estava em andamento contra os seguidores de Mohammed bin Abdullah. Carton foi destacado para o Corpo de Camelos da Somalilândia.

Em um determinado ataque a um inimigo em Shimber Berris, Carton foi baleado duas vezes no rosto, perdendo um dos olhos e parte de uma das orelhas.

Primeira Guerra Mundial – Frente Ocidental

No começo de 1915, ele seguiu de navio para a França, participando da guerra na Frente Ocidental, comandando três batalhões de infantaria e uma brigada. Nesta guerra, foi ferido mais sete vezes: Arrancou os próprios dedos a dentadas quando um médico se recusou a amputá-los e acabou perdendo toda a mão esquerda, levou tiros no crânio, tornozelo, quadril, perna e orelha. Para se recuperar de tantos ferimentos, ele foi conduzido para o asilo de Sir Douglas Shield.

Em março de 1916, foi promovido a major e em julho foi novamente promovido, agora para major da Guarda Dragão, tendo sido premiado com o Croix de Guerre.

Victoria Cross

A maior honraria por bravura em combate foi dada a ele em 1916, quando tinha apenas 36 anos. Atualmente sua Victoria Cross está exposta no Museu do Exército Nacional, em Chelsea.

Se você acha que história dele se encerra por aqui, paciência, ainda tem muito mais.

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, Carton de Wiart seguiu primeiro para a Polônia, depois para Paris até que retornou a Inglaterra em julho de 1920, onde permaneceu até sua aposentadoria oficial em dezembro de 1923.

Cavalheiro Polonês

Entre 1924 e 1939, Carton de Wiart morou em uma grande propriedade chamada Prostyń, que era do príncipe Karol Mikolaj Radziwill, um grande amigo.

Mas após 15 anos de uma vida mais calma, outra guerra estava se aproximando e ele foi chamado em 1939 para ser chefe da Missão Militar Britânica na Polônia. Em setembro, a Polônia foi atacada pela Alemanha e os soviéticos aliados invadiram o país pelo leste, chegando também em Prostyń, onde Carton de Wiart acabou perdendo todas as suas armas, roupas e móveis.

Com o enfraquecimento da resistência polonesa, Carton de Wiart evacuou sua missão. Junto com o comandante polonês Rydz-Śmigły, ele seguiu para a fronteira romena, sendo seguido por alemães e soviéticos. Seu comboio foi atacado (a esposa de um de seus assessores morreu no ataque) e correndo o risco de ser preso na Romênia, ele seguiu de avião com um passaporte falso, no mesmo dia em que o primeiro ministro romeno Armand Calinescu foi assassinado.

Campanha norueguesa

Carton de Wiart foi convocado em abril de 1940 para assumir o comando de uma força anglo-francesa que deveria ocupar Namsos, uma cidade no interior da Noruega. Ele seguiu pra Namsos antes da tropas para conhecer o local e quando as tropas desembarcaram foram atacados pela Luftwaffe que destruiu a cidade por completo.

Mesmo com tudo o que estava acontecendo, ele conseguiu reunir a tropa para Trondheimsfjord, mas também foram atacados pelos alemães. Estava claro que a missão estava fracassando. Só depois de algum tempo ele conseguiu permissão para evacuar, mas na data marcada, os navios não apareceram, chegando apenas no dia seguinte. O bombardeio alemão continuou forte e conseguiu destruir dois destróieres.

Missão iugoslava

Hitler estava se preparando para invadir a Iugoslávia e eles pediram ajuda britânica. Rapidamente, Carton de Wiart seguiu para negociar com o governo daquele país. Acontece que durante o voo, os dois motores do avião falharam na costa da Líbia (controlada pela Itália) e o avião caiu no mar. Carton ficou inconsciente, mas acabou se recuperando com ajuda da água gelada do mar e juntamente com o resto da equipe tiveram que nadar até a costa, onde acabaram capturados pelas autoridades italianas.

Prisioneiro de guerra

Como não poderia deixar de ser, Carton de Wiart era um prisioneiro de alto nível e foi transferido para uma prisão especial onde ficou até agosto de 1943, quando foi levado pra Roma. O governo italiano queria deixar a guerra e pediu a Carton de Wiart que enviasse uma mensagem ao exército britânico sobre um tratado de paz com o Reino Unido. Carton de Wiart acompanharia um negociador italiano para se encontrar com os aliados e negociar. Quando chegaram a Lisboa para o encontro, Carton de Wiart foi libertado e voltou para a Inglaterra.

Carton de Wiart ainda participou de mais duas missões (que foram menos conturbadas) antes de sua reforma: Uma na China e outra no sudeste asiático.

Reforma e morte

Depois de tantas guerras e conflitos, finalmente Adrian Paul Ghislain Carton de Wiart iria descansar, mas antes de ir para casa parou em Rangoon como convidado de um comandante do exército e quando foi descer uma escada escorregou, caiu, quebrou várias vértebras e ficou inconsciente. Ele foi internado e tratado no Hospital Rangoon.

Carton de Wiart morreu aos 83 anos em 5 de junho de 1963, depois de uma vida incansável de trabalho a serviço do exército.

O que você achou da história de Adrian Paul Ghislain Carton de Wiart? Deixe seu comentário

Fontes:
BBC
Wikipedia
Wikipedia

Veja também

Figuras Dogū

No período Jomon (14.000-400 a.C.), o Japão tinha uma densidade populacional mais alta do que …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *